Chape X Anjos F. C. - Uma partida no céu

Postado por: Dilerman Zanchet

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Um anjo do outro lado do campo recebe a bola, faz um lançamento para a esquerda e o atacante, com dificuldades, domina, corre em direção ao gol e chuta forte e cruzado. O goleiro faz uma espetacular defesa. São os últimos minutos de uma partida de futebol entre anjos e postulantes à vaga de anjos. Narradores, comentaristas, cinegrafistas registram os últimos minutos do jogo entre  anjos F.C. e Chapecoense, com todos os temperos de uma final que pode dar o título (também de anjos), aos recém chegados.

Diria melhor: Estagiários no céu.

Se fosse possível imaginar um jogo de futebol nesta dimensão, diria que seria aqueles que Deus levou para o céu para formar uma seleção imbatível.

O goleiro da defesa maravilhosa, não precisa dizer quem é.

Na verdade, após o trágico 29.11, é assim que o mundo gostaria de saber do time dizimado por um acidente de avião. Mortos aqui, no plano terreno. Contudo, salvos para a eternidade, tal o carinho, a comoção, a tristeza que se abateu sobre a região sul do país. Diria até, na América do Sul.

Estive em Chapecó por dois dias, até o final do velório coletivo.

Triste. Muito triste. As palavras não conseguem expressar, mesmo que encontrando as mais ideais, todo aquele sentimento que se abate sobre as pessoas de bom coração, ao se depararem com cenas como aquelas. É impressionante.

Foi impressionante a organização do evento como um todo. A cidade de Chapecó nunca mais vai ser a mesma. Que povo unido. Que povo agradecido. Que povo educado.

Chapecó já se unia, antes da fatalidade, à Chape. Depois do acidente, se envolveu, abraçou como se fosse a um filho. Chapecó, com seus 210 mil habitantes, não merecia perder os seus. E, com certeza, vai encontrar a saída, o caminho para um novo time, para continuar participando e chamando o clube de seu.

Aqueles dias foram dolorosos. Doeu ao mundo ver tanta gente sofrendo, olhos inchados de tanto chorar. A voz que embargava a qualquer relato sobre o assunto, as imagens, que dizem muito mais que palavras.

Chapecó chorou. O Brasil chorou. A Colômbia chorou. O exemplo de Medellin seguirá por muito tempo vivo.

O exemplo daquele estádio lotado, chorando e aplaudindo a cada caixão que chegava, foi emocionante demais.

Aprendi um pouco – a gente sempre aprende, na dor ou na alegria – a entender a vida. Só se entende a vida a partir da morte terrena. Quem viveu aquelas emoções e se diz filho de Deus, aprende e muda seu comportamento, com certeza.

Resta-nos, depois de toda a polêmica, tentar compreender aquelas 71 mortes. Uma equipe de futebol inteira. Jornalistas, radialistas, diretores, tripulação. Enfim, resta-nos rezar por eles. E pedir clemência aos céus, pois neste jogo de futebol não há preço de ingresso. Basta acreditar em Deus e ter fé.

E, o que é melhor: Não tem vencidos nem vencedores. É apenas mais um jogo entre anjos.

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