Acaba não, 2016!

Postado por: Cristian Queiroz

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No início do Campeonato Brasileiro, quando o Grêmio estava ponteando e o colorado iniciando a sua derrocada, a dúvida que pairava no Rio Grande do Sul era: o gremista prefere ser campeão brasileiro ou ver o Inter na B? Esse questionamento chegou até ser feito ao presidente Bolzan, que prontamente respondeu o Grêmio campeão. Eu também, aqui na Planalto, quando conversava com gremistas fazia essa mesma pergunta. Porém a pergunta foi feita erroneamente, ninguém deu a terceira e correta alternativa, que era, ambas estão certas. É, estávamos errados.

Erramos porque estávamos vivendo um período difícil, desacreditados em nós mesmos, em nosso potencial, em nossa capacidade de chegar a conquistar um título, ainda mais com as recentes eliminações de Gauchão e Libertadores. E do outro lado um time que sempre teve muito mais sorte do que juízo, que parecia que nada aconteceria com eles. Nos enganamos, erramos, não abrimos espaço para a terceira, última e correta opção, o Grêmio campeão do Brasil e o Inter rebaixado.

O Grêmio foi campeão porque teve planejamento, organização administrativa que possibilitou o time chegar à final. Fez a mudança na hora certa, no momento que sentiu que Roger havia perdido o comando do grupo. Trouxe Renato, ídolo da torcida, pai da Carol, motivador, campeão com o Grêmio. Trouxe também o Espinosa, que andava estudando sobre futebol, que também foi campeão com o Grêmio, que também tem o carinho da torcida. O Grêmio se organizou e trabalhou para ser campeão, desta vez deu certo.

O Inter caiu porque estava desestruturado. Após cinco anos de grandes conquistas, a soberba tomou conta de parte do clube, principalmente de dirigentes, que se imaginavam intocáveis, que pensavam o Inter como o Barcelona dos Pampas, só que Paulão não é Pique, Anselmo não é Busquets, Anderson não é Iniesta e Ariel não é Messi. A arrogância de um presidente afirmar que não falava em segunda divisão, a arrogância de um presidente dizer abertamente que tal treinador não tem o perfil do clube, a preocupação do clube com o jejum de títulos do rival. Tudo isso faz parte do pacote desastre colorado. A humildade é fundamental em qualquer momento e qualquer ambiente em que estejamos, a prepotência é chata, enjoativa e normalmente tem vida curta.

Eu dizia, esses filme eu já vi, lá em 2002, 2003, 2004. O Grêmio pedindo para cair, mas nós gremistas ainda enchíamos o peito para afirmar, ah mas o Inter nunca ganhou a Libertadores. O Grêmio tomando goleada e o dirigente gremista afirmando que tínhamos o site mais visitado entre os clubes, e o que aconteceu em seguida? O Grêmio foi pra B e o Inter se organizou e ganhou o mundo. E o que tem acontecido a alguns anos? O Grêmio se organizando e o colorado pedindo para cair, e qual era o discurso vermelho? O Grêmio está há 15 anos sem ganhar um título. O colorado tomando goleada e o treinador dizendo que depois que tomou o quarto gol o time tomou conta do jogo. O Inter uma colocação acima da zona de rebaixamento e o presidente afirmando que o não se falava em segunda divisão. E o que aconteceu em seguida? Grêmio campeão e Inter rebaixado.

A queda não é o fim de um clube, é um oportunidade para se reerguer, para voltar a suas origens, para demonstrar o quanto de fato é grande. Ao menos foi isso que aconteceu com o Grêmio e alguns outros que caíram.

Agora que já falei sério e apontei, conscientemente, os motivos do título e do rebaixamento, peço licença para o gremismo e o grito de campeão que não soltava a 15 anos!

É CAMPEÃO! O Grêmio é penta campeão da Copa do Brasil, o rei de copas, ninguém é maior! E o Inter vai jogar série B, vai desfilar seu salto alto contra o Vila Nova, contra o CRB, contra o Londrina, contra o Paysandu, aliás, ah o Paysandu! Que ano senhores, que 2016!

Boa segunda!

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