VW Kombi – a história da “velha senhora” – parte 4

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Enquanto no resto do mundo a Kombi era modernizada e na década de 70 já era praticamente outro carro, com motor refrigerado a água, direção hidráulica e até câmbio automático, no Brasil a história era bem diferente.

A primeira grande mudança da Kombi brasileira aconteceu somente em 1976, quando a querida “Vovozinha” deu lugar para a famosa “Clipper”. Na verdade foi uma mudança gradual entre um modelo e outro que foi completada somente em 1997, quando finalmente foi adotada a porta lateral corrediça.

Mas em 1976 o design da carroceria “Vovozinha”, como era chamada, ou “jarrinha”, conforme a região do país, foi substituído por uma adaptação do modelo que já era antigo na Europa, a Kombi Clipper. Uma frente sem vincos verticais, com os faróis do Fusca da época e os piscas quadrados posicionados acima dos faróis, nas pontas de uma grade estreita por onde passou a ser admitida a ventilação interna. Na traseira as pequenas sinaleiras deram espaço para a adoção das maiores, iguais ao do modelo europeu. No cofre do motor, um boxer a ar de 1600 cc com um carburador. Mas no resto, era a mesma velha senhora de sempre, com as portas laterais de duas folhas e suas 12 janelas.

Em 1981 foi lançado um modelo de Kombi com motor 1.5 litro refrigerado a água e movido a diesel (o mesmo que equipava o Passat exportação), que é facilmente identificável pela enorme grade preta na dianteira, onde ficava acomodado o radiador. Lerda, barulhenta e de difícil manutenção, não durou muito e foi descontinuada. Em 1982 vem a versão pick-up de cabine dupla e somente em 1983 a Kombi ganha freios a disco na dianteira.

Entre 1983 e 1997 pouca coisa mudou. Mas então chegou a tão sonhada reestilização que aproximou a Kombi da versão européia – a carroceria com porta lateral corrediça. E não veio só! A versão de teto alto, com 11 cm a mais é exclusividade brasileira.

A injeção eletrônica chegou em 1998 e em 2006 a VW decide equipar a Kombi com um motor refrigerado a água: o mesmo 1.4 litro flex do Fox, que emprestou também alguns instrumentos do painel. Para marcar a despedida do motor boxer a ar, foram montadas 200 Kombi´s especiais, numeradas e destinadas a colecionadores, a famosa “série prata” da Kombi.

Comemorando 50 anos de Kombi no Brasil, a VW lançou em 2007 a série mais limitada de um carro até então. Fabricou apenas 50 unidades da “Kombi edição 50 anos”, que contava com pintura do tipo "saia e blusa" vermelha e branca, em homenagem a primeira geração, vidros verdes, pára-brisa degrade, piscas dianteiros com lentes brancas, lanternas traseiras fumê, desembaçador do vidro traseiro, luz no cofre do motor e adesivos externos que identificam a série, inclusive no painel acima do local do rádio. A série também contava com o luxo de ter uma carta de congratulação assinada pelo presidente da VW do Brasil. Se você souber do paradeiro de uma dessas 50 Kombi´s especiais, me avise, pois é o modelo mais raro e cobiçado do mundo da Kombi´s.

 Depois disso, só houve novidades na história da “velha senhora” em 2013, ano do fim da sua fabricação. Por isso, na semana que vem, encerraremos nossas recordações sobre o utilitário mais amado do mundo com o capítulo mais emocionante de sua história: a despedida da Kombi. Até lá! Grande abraço!

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