Velocidade: Também como causa do acidente IV

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A teor dos elementos que apuramos neste debate, se constata que a velocidade é fator preponderante para um sinistro, ou seja, não podemos nos limitar apenas aos aspectos legais em relação a uma eventual via preferencial ou secundária. Afinal, incorrer em abuso das regras de trânsito em um cruzamento, por exemplo, poder-se-á dar margem à responsabilidade civil, administrativa e/ou criminal.

Para tanto, além dos aspectos já abordados e que devem ser consignados pelas partes e autoridades de trânsito (dinâmica, a sinalização, preferencial, testemunhas, direção/sentido, fotos, condições climáticas, iluminação pública, condições de pavimento, terreno, condições de visualização para cada um dos condutores, marcas e distância de frenagem e/ou derrapagem, condições dos pneus, equipamentos, distância de parada após o impacto, distância de projeção das partes da carroceria, arrastamento de outro veículo, danos (localização, intensidade, orientação dos mesmos e profundidade), a utilização ou não do cinto de segurança dos tripulantes, condições físicas, psíquicas e outras alterações comportamentais dos condutores, bem como a real situação que os socorristas presenciaram o estado de saúde da vítimas), é importante que essas efetuem a apreensão do tacógrafo naqueles veículos que possuem a obrigação de utilizar este equipamento.

Esses dados são fundamentais para garantir a correta aplicação dos cálculos de física e planilhas na perícia, bem como uma rápida resposta à Justiça sobre as possíveis causas do acidente e, sobretudo, devem ser colacionadas para fins de trabalho científico e colaborar nos projetos de segurança viária, trazendo aos condutores a consciência dos limites e do respeito à lei. Portanto, muito mais relevante que apurar os fatos para fins judiciais ou administrativos, está a essência em trabalhar o processo de consciência dos condutores (direção defensiva), bem como as correções legais e de engenharia viária.

Naturalmente, se o acidente resultar apenas em danos materiais de pequena monta (por exemplo, fatos corriqueiros de colisão na traseira) - sem lesões - as próprias partes podem providenciar as provas necessárias (fotografias e testemunhas), bem como o boletim de ocorrência  (online da Polícia Civil =>  https://www.delegaciaonline.rs.gov.br/), quando os fatos vierem a ocorrer no Rio Grande do Sul, ou procurar a autoridade de trânsito para o devido registro. A retirada dos veículos do ponto de impacto não implica em reconhecimento de culpa, pois no contexto atual, numa eventual ocorrência com danos materiais, a permanência no local poderá ensejar outras situações mais graves, inclusive com atropelamento dos condutores envolvidos. Assim, evitar novos acidentes e garantir a fluidez de tráfego é obrigação de todos.

Frisa-se, que a preservação do sítios de colisão é importante apenas em caso de lesões ou perícias

 

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