O que ficou de Chapecó

Postado por: Cristian Queiroz

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Trago nesse espaço o que escrevi na última quinta-feira, 29, para o portal rdplanalto.com.

Hoje, 29/12, completa um mês da tragédia da Chapecoense, um mês que maridos não voltaram para suas casas, um mês que filhos não reencontraram seus pais, um mês que o jogo que era para acontecer não aconteceu.

O despertar daquela terça-feira, 29, jamais sairá da memória. Creio que cada um de nós lembra perfeitamente como ficou sabendo do fato, quem foram as primeiras pessoas com quem falou sobre o acontecido, a angústia por ainda não saber exatamente o que havia ocorrido e, se restaram sobreviventes. O tombo ao saber que era tudo realidade.

Comigo não foi diferente. Eu ainda acordando, sonolento, brigando com o despertador. Minha noiva Pâmella já lidando com seu celular, ainda na cama, me cutucou e disse: Caiu o avião da Chapecoense! Foi o som de despertador mais alto que eu já ouvi! Peguei meu celular dei uma passada pelas redes sociais e vi que falava-se da tal tragédia, sintonizei meu rádio na Planalto para saber o que de fato estava acontecendo... bem, o que eu ouvia no rádio todos já sabem.

Vim para a redação, comecei a acompanhar as informações que chegavam da Colômbia. Conversamos com a chefia e decidimos ir para Chapecó, sentir como estava aquela cidade, como estava aquele clube.

Partimos, Ari Machado e eu, no caminho a dúvida do que encontraríamos ao chegar, que tipo de trabalho conseguiríamos realizar, o quão chocante seria entrar na Arena Conda no dia mais triste da sua história. A terça-feira foi longa, cansativa física, mentalmente e principalmente emocionalmente. O que senti naqueles dois dias está escritos nas páginas da Revista Somando e também no link (http://rdplanalto.com/noticias/20037/o-que-vi-e-vivi-em-chapeco).

Retornamos para casa na quarta-feira, 30, acompanhei pela tevê a homenagem realizada na Colômbia. Na quinta-feira fui informado que no dia seguinte retornaria para Chapecó acompanhar o velório das vítimas.

Partimos, desta vez Dilerman Zanchet e eu. As dúvidas do caminho voltaram, o que encontraríamos passados três dias do acidente, que tipo de trabalho conseguiríamos realizar naquele velório.

Passados 30 dias daquela terça-feira, vejo que aquilo que dizíamos lá de Chapecó, que a Chapecoense iria se reestruturar, iria se reerguer, está acontecendo Foi bonito ver todas as homenagens que o clube e a cidade receberam pelos gramados de todo o mundo. Passados 30 dias, preciso agradecer à Rádio Planalto pela oportunidade de realizar essa cobertura que eu desejo nunca mais precisar fazer. Agradecer ao Ari Machado e ao Dilerman Zanchet, que estiveram juntos comigo nesses dias e também a todos os demais colegas da Rádio Planalto, que não mediram esforços para viabilizar e facilitar o nosso trabalho em Chapecó.

Foi triste, muito triste. Foi chocante, foi difícil. Mas também foi emocionante, permitiu ver o lado bom do ser humano, mostrou o quanto podemos ser gentis, generosos e solidários. Mostrou, ao menos pra mim, que a geração não está perdida e que as pessoas sabem e podem ser boas. Foi uma semana de aprendizagem e de muita reflexão, o valor de muita coisa mudou pra mim depois daquela semana.

Passados 30 dias do acidente, o soco na boca do estômago, do outro texto, ainda dói, e vai seguir doendo, em mim e em grande parte dos que gostam de futebol.

#ForçaChape


Cristian Queiroz - Radialista

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