Tortura em tempo de Natal

Postado por: Neuro Zambam

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A tortura, a escravidão e as guerras são rotina na história da humanidade. Entretanto, contrastam com outras convicções fundamentais da existência humana, do agir social, da tradição religiosa e da normalidade da vida. Então, por que continuam povoando nossa existência, as relações entre os povos, a prática da investigação e das relações de trabalho?

Um dos motivos evidentes é o comércio de armas que alimenta uma indústria poderosa com capacidade de influência e organização inimaginável e que precisa ser alimentada e modernizada de forma permanente. Em nome do direito de defesa, proteção de interesses e do combate a inimigos – não poucas vezes imaginários – justificam-se inúmeras guerras cujas consequências são imprevisíveis.

A tortura é uma dessas consequências cujo limite é posto pelo vencedor ou por aquele que captura o inimigo. As últimas guerras que visavam combater o terrorismo demonstraram a ausência de limites políticos, o fracasso de acordos tradicionais, a impotência da legislação internacional, dentre outros aspectos, e renovaram a tortura como uma virtude.

A análise sobre a tolerância (ou apoio) à tortura é impressionante. Como pode aumentar a visão de que a tortura é uma prática normal ou que “faz parte do jogo da guerra”, justamente em sociedades esclarecidas como os Estados Unidos e, de outra parte, diminuir a simpatia em países que são vítimas?

Vejamos os dados: “Os americanos se sentem mais confortáveis com o uso de tortura em guerras do que cidadãos de países em conflito como os afegãos, sírios, iraquianos e sudaneses do sul. Nos Estados Unidos, 46% acreditam que um inimigo capturado possa ser torturado para se obter informações importantes, enquanto 30% acham que não. O número só é inferior ao da Nigéria”. Sugiro a leitura atenta desta pesquisa no site do jornal Valor econômico: http://www.valor.com.br/internacional/4797613/tortura-e-aceitavel-para-46-dos-americanos-mostra-cruz-vermelha. Acesso em 08/12/2016.

A prática da tortura é grave em qualquer localidade, seja nas relações primárias (vizinhos, parentes e comunidades), nas instituições (escolas, policias, orfanatos, asilos e outros), seja entre os povos (guerras, sequestros, comércio e outros). Mais grave quando é tolerada e aceita como normal em sociedades democráticas onde o valor da pessoa como sujeito de direitos é uma conquista comparada a uma rocha inabalável – cláusula pétrea para usar uma expressão da Constituição brasileira. Afronta com igual intensidade a concepção de Deus criador e libertador.

A humanidade precisa evoluir de forma gigantesca a fim de poder superar essa e outras mazelas que a atormentam e justificam a continuidade de barbárie entre iguais.



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