Presídios: Reféns de um sistema falido

Postado por: Dilerman Zanchet

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Lembram dos filmes do He Man? Aquele que empunhava uma espada e, depois de derrotar o inimigo, gritava a todos pulmões “Eu tenho a forçaaaaaa”?

É o grito de guerra que ecoa dentro das casas prisionais do Brasil, de norte a sul. É a completa falência do Estado, que deveria oferecer condições humanas para os seus detentos, e a força gerada pelo quarto (ou quinto) poder: As forças de dentro do sistema penitenciário.

Marcola, líder do PCC, tem até página no Wikipédia: “Marcos Willians Herbas Camacho, mais conhecido como Marcola, é um criminoso brasileiro considerado, pelo Estado de São Paulo, o líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital. Marcola nega, porém o PCC tem liderança.”

Outro: Fausto Xavier de Figueiredo, este do Mato Grosso, líder do Comando Vermelho.

Mais um: Fernandinho Beira Mar. Um imperador, seja em qual casa de detenção que estiver.

Quer mais ainda: Elias Maluco, Marcinho VP, e por aí vai.

São apenas alguns dos nomes de milhares de presidiários, com penas superiores a 20 anos, que dominam os presídios de todo o país.

São eles que mandam nas casas prisionais. São eles quem dão as ordens, da porta para dentro. São eles quem ditam as normas. Matam, mandam matar, assumem as mortes e ainda riem da cara dos pobres coitados que, do lado de fora, têm que trabalhar suado, no mínimo oito horas por dia, para sustentar suas famílias.

Marcolas, Faustos, Elias, Marcinhos e tantos outros, riem de nós, brasileiros comuns. Só não conseguem rir de alguns políticos, pois estes medem força quase que diuturnamente para ver quem rouba mais, quem mata mais, quem trafica mais.

As visitas destes detentos chegam de carrões, camionetas importadas, até com seguranças.

O que se esperar de um sistema falido, onde o amontoado de gente faz com que um estuprador, um assassino confesso, seja colocado lado a lado com um ladrão de galinhas, destes que só roubou para amenizar a fome do filho doente?

E o que se esperar de um governo, tanto federal como estadual, que há mais de 30 anos não investe no sistema, como forma de regeneração? Pode ser “ressocializado” um elemento que é traficante, dos pequenos, e cai nas graças de um grupo como o Comando Vermelho, o PCC, ou este que promoveu a maior matança dos últimos anos em Manaus?

Pode um agente penitenciário não poder entrar em uma galeria de um presídio como o de Passo Fundo, sem ordens do líder do pavilhão?

Pode um grupo de seis ou sete agentes, mais dois ou três brigadianos, fazerem a guarda de um presídio que mantém mais de 700 apenados, enquanto a estimativa é de uns 20 agentes para 350, que é a capacidade do local?

O que foi feito de ampliação, melhoria, recuperação no sistema estadual e brasileiro nos últimos anos.

Por que políticos não tocam em suas “pautas” nas assembleias ou no Congresso?

Há, já sei: Apenado não vota. Isso não dá voto.

E a Justiça, que deveria ser cega, está fazendo realmente o seu papel?

Qual a estimativa de detentos já condenados e os que aguardam julgamento, nas mesmas celas, no mesmo sistema fétido dos presídios?

Sim, amigos. Tudo isso tem um culpado. Ou, mais que um: Nós.

Nós que apoiamos e vibramos por uma Constituinte errônea, que só favorece alguns. Que beneficia poucos. Que não se importa com a razão, com a racionalidade, mas sim com a emoção e o “social” do povo.

Enquanto um presidiário custa em torno de R$ 4,5 mil reais para sua manutenção pelo sistema público (leia matéria sobre o massacre em Manaus), nossos agentes penitenciários, policiais civis e brigadianos mendigam pelo pagamento de seus salários e nem sequer vislumbram seu 13º Salário.

Que vergonha!

Aí está o resultado: Governos impotentes, incompetentes, corruptos e fúteis, no que se refere ao sistema prisional.

Que tal uma visita aos países de primeiro mundo para aprenderem alguma coisa? Com diárias pagas pelos próprios bolsos, por favor.

Enquanto não houver manifestações públicas que realmente provoquem mudanças em muitas áreas, o Brasil continuará refém.

E, enquanto tudo isso não acabar, só ecoarão nas noites das casas de detenção, o grito de mais um líder das facções: “Eu tenho a forçaaaaa”!

 

 

 

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