Educação e procedimentos formais

Postado por: Israel Kujawa

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Um dos pensadores centrais para quem deseja ter um entendimento mínimo das bases que possibilitaram a construção do pensamento, ainda predominante, em nossa cultura é Friedrich Nietzsche (1844-1900). Seus escritos fazem uma reconstrução crítica da trajetória do comportamento ocidental. Suas obras são valorizadas por quem estuda filosofia, passaram a receber atenção de quem estuda psicologia e para   os seres humanos que não se pretende ser arrastados pela vida liquida, o referido Filósofo Alemão, se apresenta como opção para pensar adequadamente a educação do século XXI.

O seu livro Sobre o Futuro dos Nossos Estabelecimentos de Ensino, Nietzsche ironiza a vinculação entre educação e horários ou programas.  Com sarcasmo, faz críticas ao modelo educacional moderno, que se distancia da complexidade filosófica e se submete ao reducionismo de formalidades burocráticas. O livro, já mencionado, é fruto de conferências proferidas em 1872 (século XIX), no entanto, dois séculos após (século XXI), este aspecto da análise pode ser facilmente identificado, no comportamento de profissionais da educação.

A cega adesão dos gestores e professores aos controles burocráticos, com imposições das famigeradas grades curriculares e horários são indicadores de vigência de um modelo educacional desmotivador, em que   se evidenciam comportamentos submissos. Professores que orientam suas práticas subordinados aos conteúdos pré-estabelecidos se aproximam de que pode ser definido como treinadores. Estudantes que se conformam em receber e reproduzir conteúdos transmitidos, não se habilitam para o desenvolvimento das qualidades que nos tornam e nos mantêm humanos.

 Os estabelecimentos de ensino e os profissionais que nela atuam devem focar suas atuações no desenvolvimento de potencialidades e no exercício de práticas que capacitam os indivíduos para a solução de problemas cotidianos, do mundo vivido. Nisto está incluído a aprendizagem de conteúdos que possibilitem uma leitura das dimensões mico e macro, da sociedade, do universo e do multiverso, possibilitando a construção permanente de uma compreensão da realidade. Por fim, os conteúdos previamente estabelecidos devem ceder espaços para a aprendizagem que ocorre durante o processo de socialização, permeado de valores, em ações de compartilhamento de experiências, com reflexão, amorosidade, afeto, cuidados individuais e coletivos.

 

 

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