VW 1302 – o Super Fusca

Postado por: Júlio César de Medeiro

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A concorrência para o Fusca no mercado norte-americano era duríssima no final dos anos 60, principalmente com a chegada dos modelos japoneses, como a primeira versão do Toyota Corolla ou mesmo com os novos modelos das montadoras locais, como o Ford Pinto e o Chevrolet Vega (veja as fotos). Pensando em levantar suas vendas em um país com tanto potencial como o Tio Sam, em 68 a VW lançou o Fusca com câmbio automático, sobre o qual tratamos no artigo anterior (http://rdplanalto.com/noticias/20614/vw-fusca-automatico--sim-existiu).

Mas isso não era o bastante. Os carros da concorrência eram maiores, mais confortáveis e mais potentes. E o pior de tudo, mais baratos. Além disso, a legislação americana passou a exigir uma série de medidas de segurança para os ocupantes e também medidas de proteção ambiental para os carros fabricados ou comercializados no país, sendo que o Fusca não atendia a nenhuma dessas exigências.

Assim, a VW desenvolveu um projeto singular para fazer frente a essas adversidades. Porta-malas maior, maior conforto de rodagem, mais potência e luxo interno estavam na lista de modificações do novo Fusca, que foi batizado de 1302 - Super Beetle, lançado em 1970 como modelo 1971. Para nosso azar, o Brasil nunca fez parte dos planos da VW mundial para a produção do 1302 e nem a VW local demonstrou qualquer interesse em acrescentar ao nosso cascudo as inovações e melhorias do Super Fusca. Permanecemos com a versão alemã de 1963 da carroceria até praticamente o fim da produção nacional.  L

Visualmente as novidades que o 1302 trouxe saltavam aos olhos. Capô dianteiro mais curto, paralamas mais encorpados e maiores, novas rodas e capacidade do porta-malas dianteiro aumentada em 86%. Também novos motores, de 1600cc ou 1300cc, que tinham melhor desempenho. O capô do motor recebeu novo desenho, ficando maior e com mais entradas de ar. Pequenos detalhes como parassol do lado do passageiro com “espelho de vaidade” e acabamento interno de melhor qualidade conferiam ao Super Beetle um ar refinado.

A suspensão McPherson dianteira, largamente utilizada em carros da concorrência, substituiu o velho sistema de molas de torção. Além de proporcionar mais espaço para o porta-malas, resolveu dois problemas antigos do Fusca – maior conforto de rodagem e uma direção mais precisa.

Também foi modificada a suspensão traseira, que recebeu semi-árvores com juntas homocinéticas nas extremidades. Isso equivale a dizer que o 1302 não tinha mais o movimento característico do Fusca que, quando carregado, abria as rodas traseiras para fora - a famosa “cambagem negativa”.

Opcionais como ar-condicionado por 267 dólares ou câmbio semi-automático a 139 dólares foram confortos que ajudaram a reavivar as vendas do besouro. Acompanhando a evolução tecnológica, o 1302 tinha até a possibilidade de ser conectado a um computador para realizar um diagnóstico em vários componente e sistemas do carro nas concessionárias.

O Fusca de número 15.007.034, que saiu da linha de produção em 17.02.1972, era um Super Beetle 1302 e bateu o recorde mundial de produção de um mesmo carro, que pertencia por mais de 60 anos ao Ford modelo T.

Mais de 35 séries especiais e versões do 1302 foram lançadas, como a Jeans, a SuperBug e a Jubileu. Contudo, a cereja do bolo do 1302 sempre foi o modelo conversível.

Mas, como nem tudo são rosas, até mesmo dentro da VW e entre os entusiastas do Fusca, o 1302 foi recebido com descrédito, sob os títulos nada simpáticos de “feio, inchado, bojudo ou Fusca grávido”, reflexo direto das mudanças estéticas ocorridas.

Logo em seguida, pressionada por novas mudanças na legislação e pelas quedas nas vendas, a VW lançaria um novo modelo, o 1303, que será nosso assunto para a próxima semana.

Até lá! Grande abraço! 

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