Câmara de Vereadores x BS Bios

Postado por: João Altair da Silva

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A BS Bios precisa da escritura do terreno onde está instalada. Para isso, a Câmara precisa aprovar projeto da prefeitura que concede essa autorização. Isso, sempre foi uma praxe na história do Legislativo de Passo Fundo. Aliás, é rotina em municípios do porte do nosso, a cedência dos terrenos para que as empresas possam ter a garantia do imóvel. Surpreendentemente, alguns vereadores começaram a colocar objeções ao projeto.

O comparativo com a Manitowoc é inconcebível. Em primeiro lugar porque para essa fabricante de guindastes não foi cedido um terreno e sim uma granja de 45 hectares. Não se conheciam os investidores. Vieram dos Estados Unidos. A BS Bios é uma empresa nossa, nasceu em Passo Fundo, tem 10 anos de atuação, se envolve com as questões sociais da comunidade, auxiliando entidades carentes, incentivando o futebol, o vôlei, gera centenas de empregos. Somente em época de colheita passam pelo seu pátio, 500 caminhões.

Ouvi alegações no Legislativo de que a se a empresa está sólida financeiramente não precisa de financiamento, portanto, não dependeria do documento que a Câmara deve liberar. Está faltando tino empresarial em parte da nossa vereança. Não existe empresa sem banco. Não existe capitalismo sem banco. Financiamento bancário é praxe nas empresas. Toda a grande empresa está sempre fazendo empréstimos.

Amanhã vence o prazo para votação dessa matéria. A Câmara não pode brincar. Estamos falando de uma empresa que é responsável por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do município. Sim, Passo Fundo tem um PIB de pouco mais de R$8 bilhões. A BS Bios sozinha fatura R$2,4 bilhões. A prefeitura de Passo Fundo, tem comemorado nos últimos anos, posição privilegiada no ranking estadual de arrecadação de ICMS mesmo em anos de crise. Boa parte dessa receita vem de valor agregado por essa empresa. Ela é responsável pelo esmagamento de 10% da soja produzida no Rio Grande do Sul. Agrega valor ao principal produto agrícola da nossa região.

O que ouvimos dos empresários do comércio e de serviços é que se a safra de soja for boa na região os seus negócios reagem. Portanto, é preciso que duas instituições do município também sejam mais sensíveis ao que está acontecendo no nosso Legislativo. À administração municipal não cabe apenas protocolar o projeto, tem de trabalhar pela sua aprovação. E as entidades empresariais de Passo Fundo também não deveriam permanecer caladas diante da situação. No ano passado, fechou uma indústria de guindastes, um frigorífico (Minuano) e uma transportadora (TW) que desempregou 51 motoristas. De janeiro a novembro de 2016, o Sine encaminhou nove (9) mil pedidos de seguro desemprego. É hora de lutarmos para preservar e fortalecer as empresas que estão aí instaladas.

E vereador tem a missão de exercer a vereança conforme o que dispõe o Regimento Interno. Processo legislativo não é Tribunal de Justiça. Influências externas de quem não deu certo no mundo dos negócios, de quem só se locupletou onde trabalhava, também não servem.  

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