Índios não querem terras do Estado

Postado por: João Altair da Silva

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Por falta de sensibilidade, tende a continuar o conflito agrário envolvendo índios e produtores rurais no Rio Grande do Sul. O governo do Estado ofertou na semana passada nada menos que seis mil hectares de terras para assentamento indígena. A maioria dos caciques disse não. São terras da CESA, empresa pública que está indo a leilão e da CEEE.

Com seis mil hectares seria possível assentar cinco mil famílias de índios e resolvia o problema mais grave. Meu pai criou a mim e mais três irmãos em cima de oito hectares de terra. Isso numa fase já mais adiantada da vida porque antes morávamos de agregados. Não é preciso dar uma fazenda para cada família de índio. Em cinco hectares de terra é possível manter no mínimo, 15 vacas em lactação. Com o leite a R$ 1,00 o produtor que ordenhar 200 litros, hoje, recebe um salário bruto de R$ 6 mil. Numa pequena propriedade é difícil se manter com as práticas da monocultura da soja e do milho, mas a produção de leite é viável. Trata-se de uma atividade barata, que requer pouco investimento e aceita abertamente pelo mercado.

Ocorre que os caciques saíram rechaçando a proposta do governador Tarso Genro. Numa espécie de birra eles querem as terras que estão buscando a demarcação. Como já estamos cansados de saber os nativos servem de massa de manobra para alguns intelectuais da história. O problema agora reside nos antropólogos que convencem os líderes dos acampamentos a não aceitarem. Toda a onda de demarcação é fruto de estudos de determinados professores de história. Para aqueles que estão envolvidos no processo não importa se índios e colonos continuarem se matando no campo, eles querem ver suas teses concretizadas. Se o governo oferece uma área em São José e eles estão demarcando uma sem Santa Maria, não aceitarão.

Um verdadeiro contra-senso porque as tribos que estão acampadas nas beiras das rodovias já vieram de muito distante. Viajaram mais de 100km para acampar. Encontram-se lá sem estrutura nenhuma. Vivendo lamentavelmente em barracos. Que diferença faz para essas comunidades serem assentadas em outros municípios?

É lamentável porque seis mil hectares custam nada menos que R$ 250 milhões. Não sabíamos, mas o importante é que o governo dispõe dessas terras. Até porque jamais teria tanto dinheiro para desembolsar.

Tijuco Preto, Mato Castelhano, Campo do Meio, Sananduva, Cacique Doble, Mato Preto, Pontão, cada uma dessas comunidades têm hoje cerca de 50 a 60 famílias de índios em busca de demarcação. De forma que com toda essa extensão de terras, o problema seria sanado. O mais difícil está à disposição que é a terra, motivo da discórdia. Pena que os líderes do movimento não queiram resolver o problema. São fundamentalistas. Para eles vale mais o ideal, mesmo que tenha consequências desastrosas. Muitos também não querem que o problema termine para que a “luta” não acabe. Falta sensibilidade.

Ao contrário, expropriar as terras dos colonos da região, herdadas há várias gerações ou compradas com o suor de muito trabalho. Retirá-los de onde constituíram suas famílias, construíram suas moradas, construíram suas capelas, suas entidades, mantém sua fonte de vida, seria um escárnio, um menosprezo sem precedente.

Reintegração de Posse

O juiz federal  Rafael Trevisan concedeu reintegração de posse a área invadida em Pontão, por um grupo de kaingang. Eles têm 30 dias, a contar de quinta-feira passada para deixarem a área. Mercante concedeu também o interdito proibitório, ou seja, não poderão acampar no município. 

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