O lugar do bandido da sua família

Postado por: Neuro Zambam

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A gravidade em que se encontram os presídios brasileiros não tem parâmetro, o descaso do Estado, dos sucessivos governantes, o preconceito da grande maioria da população e a falta de esclarecimento sobre direitos, deveres e a realidade da vida, conduzem ao caos em que nos encontramos.

Quando a falta de sensibilidade individual, da comunidade em geral (e de forma coletiva) não tem mais expressão pública, é porque doenças com poucas chances de cura estão no nosso cotidiano e vamos à morte de forma pacífica, como uma ovelha vai ao matadouro ou como os prisioneiros eram conduzidos aos campos de concentração sem expressarem revolta. Ou, pelo menos, vontade de reagir e fugir daquele cortejo macabro.

As matanças de presos no Brasil não são novidade. Parece que aquela convicção de que escravo não é gente, mas mercadoria, agora se estende aos presos, que de tão insignificantes, sequer se pode dizer o que são.

Da incapacidade do presidente da República de dizer uma palavra imediata e descente, extenso ao seu secretário incentivando outras matanças e o senso comum da ignorância, que às vezes parece generalizada, ridicularizar os Direitos Humanos sem sequer saber o que está falando ou da expressão anterior à época das cavernas, “bandido bom é bandido morto”, chegamos ao silêncio que retrata a impotência e o desejo que nada do que é grave possa ser visto e solucionado.

Em épocas recentes, as pessoas vociferavam sobre os políticos que roubam e nivelavam todos abaixo da mesma régua. Mal se sabia que o seu entorno é mais violento e pernicioso, digo os seus financiadores e, pior, os financiadores do poder. Demoraremos ainda mais para perceber que os maus políticos são poucos (ou em menor número do que as pessoas costumam condenar e falar sem conhecer). Entretanto percebemos e precisamos nos envergonhar porque somos nós os eleitores.

A morte dos presos talvez nunca nos envergonhe, porque temos vergonha de admitir que somos normais e preferimos apontar os erros dos outros em vez de admitirmos os nossos. Isso porque não nos damos conta de que em nossas famílias existem pessoas com graves problemas com a justiça penal. Daqui para o presídio é um passo curto. Se você não acredita, faça um levantamento entre seus parentes de até terceiro grau. Você descobrirá o quanto normal você é, assim como eu.

A demora na solução desse grave problema se deve a isso. Felizmente no blog do arcebispo Rodolfo Luís Webber da última sexta feira, está uma indicação positiva e que demonstra como um presídio pode ser humanizado com garantia dos direitos (humanos) e cumprimento de penalidades que, por vezes, não são tão justas (rdplanalto.com).

Sugeri no final de semana a um vereador de Passo Fundo que leve esse debate adiante, conheça o que dá certo e assim, além de não caminharmos para novos e mais sofisticados campos de concentração, contribuamos com nossas famílias já tão normais e tão necessitadas de direitos humanos.

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