VW 1303 – o melhor Fusca do mundo?

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Até 1972 o maior avanço tecnológico do Fusca no mundo tinha um nome: VW 1302 – Super Beetle. Suspensão dianteira McPherson, porta-malas maior, motores mais eficientes e tudo o que já tratamos no artigo anterior (http://rdplanalto.com/noticias/20727/vw-1302--o-super-fusca).

Mas todas as atualizações e inovações do 1302 foram apenas um ensaio para o que estava por vir. A velha receita da VW permanecia em pleno uso e tudo o que já havia sido testado e aprovado foi usado para este lançamento.

Então, em 1973, surgiu o que muitos chamam ainda hoje de “o melhor Fusca do mundo”, o VW 1303 – The New Super Beetle. Em resumo, o 1303 era um 1302 com melhorias e inovações funcionais, mecânicas, de acabamento e estéticas. Haaaaaa… essas inovações estéticas…

O 1303 foi o Fusca com maior área envidraçada já produzido. Ficou com 42% mais visibilidade que seu antecessor. Curiosamente, essa maior visibilidade não teve nada a ver com as inovações da VW. Foi fruto de uma exigência de uma lei norte americana que determinava uma distância mínima entre os passageiros e o para-brisa, que agora era maior e curvo. Com isso o capô do porta-malas ficou mais curto e o visual do 1303 ainda mais “bojudo” ou “grávido”.

Acompanhando o novo para-brisa, o 1303 trouxe um novo painel. Daí foi demais. Os entusiastas e fanáticos pelo Fusca tradicional não suportaram. Era muita inovação de uma vez só. Esse novo painel foi desenhado para acomodar os airbags e também para melhorar a ventilação, mas era feito de plástico! Muito diferente do painel tradicional plano estampado no aço da carroceria. Para ajudar, o porta-luvas tinha um monte de divisões e só acomodava pequenos objetos. Bem atrás do volante, um único instrumento combinava velocímetro, hodômetro, marcador de combustível e as luzes de advertência. Os botões de acionamento dos instrumentos foram dispostos como chaves liga/desliga, alinhados com o rádio (ao menos esse permaneceu no lugar de sempre).

Outra novidade foram as sinaleiras traseiras. Em vez das charmosas lanternas em forma de lápide, a VW lançou enormes sinaleiras circulares, imediatamente apelidadas na Europa e nos EUA de “pata-de-elefante”. Mais tarde essas sinaleiras foram adotadas pela VW do Brasil e equiparam os Fuscas brasileiros 1300L pós 1978 e os 1600. Mas aqui o apelido dessas sinaleiras foi outro. Depois que o apelido das sinaleiras foi usado em uma campanha publicitária, dizem até que a cantora “homenageada” ganhou uma boa grana da VW em um processo por danos morais. Dizem. Se é verdade não sei, hehe!

Porém, a novidade mais interessante nem era muito visível. Em 1974, mais uma legislação americana obrigou a VW a adotar, digamos, uma peculiar solução. A dita legislação obrigava os veículos suportar impactos frontais de 8 km/h e traseiros de 4 km/h. Então, a VW desenvolveu para-choques maiores, de chapa mais grossa e com amortecedores, que absorviam os impactos.

O 1303 também inovou com sensores de uso do cinto de segurança que, se não afivelados, impediam a ignição. Em 1974 também foi, finalmente, substituído o dínamo pelo alternador.

A saída dupla do escapamento na saia traseira também foi redesenhada, adotando em 1975 uma saída única do lado do passageiro. No mesmo ano uma campanha publicitária do 1303 enfatizava que, desde 1949, mais e 30 mil mudanças haviam sido feitas no Fusca, todas para melhorá-lo. A foto dessa campanha colocava lado a lado um Fusca 1949 e um 1303 New Super Beetle 1975, ambos azuis.

Com a proibição do chumbo na gasolina e leis que obrigavam a todos os fabricantes de carros a desenvolverem motores menos poluentes e mais eficientes, o 1303 recebeu injeção eletrônica, o que fez o consumo passar para 14 km/l. Logo em seguida, catalisadores também se tornaram obrigatórios.

 Assim como os seus antepassados, o 1303 também teve muitas séries especiais e comemorativas, como a SunBug, a La Grande Bug, a RS ou ainda a Triple White (somente conversível), que ajudavam a manter suas vendas em um patamar aceitável. Todavia, já em 1975 a VW comercializava o Golf (chamado de Rabbit nos EUA) e no mesmo ano decidiu encerrar a produção do 1303, sendo que somente a versão conversível continuou a ser montada, até 1980.

Dentre todos os Fuscas produzidos no mundo, os especialistas afirmam que a versão chamada “Epilog Convertible” foi a mais rara, sofisticada e linda de todas. Foi uma releitura dos primeiros conversíveis fabricados, ainda na década de 40 (confira nas fotos). Foi um 1303 muito especial e que representou muito bem sua raça.

Finalizando, não podemos deixar de mencionar que no dia 20 de janeiro é comemorado o Dia Nacional do Fusca. Então, se você tem um Fusca, leve-o para passear, reuna os amigos e comemore o dia da “incrível máquina de fazer amizades”.

Na próxima semana traremos “o último Fusca do mundo”. Grande abraço e até lá!

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