Trump fora do contexto

Postado por: Neuro Zambam

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O fenômeno da globalização não é novidade no mundo, talvez na América Latina Latina esse processo demorasse um pouco pela falta de atualização e condições de competitividade ou de iniciativas mais ousadas dos seus líderes. Aliás, sobre isso, sempre é bom falar sobre a tradição de fraqueza dos nossos dirigentes e pouco comprometidos com os destinos da população, especialmente as suas condições de bem-estar social.

Os benefícios da globalização são inegáveis e ser contra ou debater a partir dessa convicção não encontra ânimo ou justificativa, seja teórica ou no bem senso das pessoas. A globalização começou com a economia de troca e com as relações primárias entre as pessoas e grupos. Ampliou-se de tal forma, que impacta na vida de todos, ou seja, das pessoas menos influentes àquelas com maior responsabilidade, das relações comerciais mais amplas aos produtos que compramos no nosso local de confiança.

O impacto das eleições americanas começa a ser sentido no mundo. A revisão de tratados comerciais por meio de medidas de suspensão unilateral demonstra como o corporativismo e o individualismo, associado a comportamentos destemperados, sem capacidade de diálogo e formas de pensar conservadoras, apresenta o clima de protecionismo e deficiências da política no mundo e a fraqueza das instituições nacionais.

Afirmo novamente que os Estados Unidos é uma democracia forte e estável, por isso não será abalada por um presidente, por mais impopular ou autoritário que possa parecer. Um estado ou a democracia não podem depender de pessoas.

A globalização supõe a capacidade de diálogo, organização e construção de propostas possíveis de serem implementadas, sejam de curto ou de longo prazo. A vida humana e social é impossível na atualidade sem a inserção nessa dinâmica cada vez mais acelerada, exigente e prazerosa. Quem for contra esse contexto saia imediatamente das redes sociais e pare de fazer comprar por meio da internet. Por exemplo.

A vida política articulada passa por esse conjunto de relações. Um líder político precisa compor com esse conjunto de interesses.

O que deixa transparecer nas primeiras atitudes do presidente americano é a imagem de um líder que está na contramão da história. Aliás, nessa mesma linha precisamos analisar as ações dos nossos governantes brasileiros. Não basta a multiplicação de reuniões e discursos sem gosto e sem sentido. A grave situação dos presídios, as decisões confusas sobre a demarcação das terras indígenas, as incertezas sobre o futuro da Lava-Jato, as corrupções, entre outras situações, demonstram a fragilidade da organização brasileira.

Não se trata de ter saudades do passado. O governo Obama fez o seu por decisão e por ações e competências. Este período, apesar de confuso, deveria ter gerado inúmeros líderes bem formados e preparados para grandes empreendimentos.

Sugiro a leitura da entrevista deste site: [https://www.theguardian.com/books/2017/jan/22/amartya-sen-brexit-trump-press-freedom?CMP=fb_a-culture_b-gdnculture].   

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