O último Fusca do mundo

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Após o encerramento da produção do Fusca no Brasil (1996), apenas um país no mundo continuou a fabricá-lo: o México. Conhecido por lá principalmente como “Vocho”, permanceu sendo montado até o dia 30 de julho de 2003, quando exatamente as 09h05m locais o último Fusca fabricado no mundo deixou a linha de montagem da VW da cidade de Puebla. Este foi o último de um total de VINTE E UM MILHÕES E QUINHENTOS E VINTE E NOVE MIL E QUATROCENTOS E SESSENTA E QUATRO Fuscas produzidos no mundo. Ainda na década de 70 ultrapassou a marca do Ford Modelo T e se tornou o carro mais fabricado da história. Somente em 1997 perdeu o título, superado pelo Toyota Corolla. No Brasil, manteve o troféu de carro mais vendido do país até 2011, quando então o VW Gol o ultrapassou. Veja bem: o VW Gol precisou de QUINZE ANOS sem o Fusca ser produzido para conseguir ultrapassá-lo em número de vendas.

Como era de se esperar, o anúncio do fim da sua produção causou muita comoção no México e no mundo todo. Para despedir-se do seu público, a VW preparou uma boa campanha publicitária, com alguns vídeos bem emotivos. Alguns você pode encontrar no site YouTube, nos seguintes endereços: https://www.youtube.com/watch?v=wyPprpm2PC4, https://www.youtube.com/watch?v=IANIKYiYwOc, https://www.youtube.com/watch?v=D_QcS0p3VSM.

A VW do México também preparou, conforme a tradição mandava, uma série especial do “Vocho” para a sua despedida, batizada de “Última Edición”. Três mil unidades primorosamente preparadas para dar um toque retrô chick ao último Fusca do mundo.

Disponível nas cores Azul Aquarius ou Bege Lunar, que eram cores características da década de 50, o “Última Edición” também trazia de fábrica rodas na cor da carroceria, faixas brancas nos pneus e o brasão de Wolfsburg no capô do porta-malas, além de uma placa de identificação na tampa do porta-luvas, alarme, carpete no assoalho, para-choques, aros dos faróis, calotas, frisos, espelhos externos e ponteira de escapamento cromados e rádio/CD com 4 alto-falantes. O motor permaneceu o confiável boxer de 1600cc e 4 cilindros refrigerado a ar, mas alimentado pela injeção eletrônica multiponto que equipava os modelos mexicanos desde 1988, beneficiado por um sistema de tratamento acústico muito eficiente. O anúncio era de que cada um custaria em torno de 8 mil dólares, algo em torno de 24 mil reais na época. Realmente uma série especial, na acepção da palavra.

Das 3 mil unidades fabricadas, oficialmente 15 foram enviadas para o Brasil e imediatemente vendidas para colecionadores. Expecula-se, entretanto, que na verdade 30 unidades vieram para cá, mas como tantas outras informações e expeculações acerca do Fusca e da sua história, não há confirmação sobre isso e possivelmente nunca haverá.

Uma curiosidade foi o motivo que levou a VW do México a encerrar a produção do “Vocho”. Embora mantivesse um número estável de vendas, pois sua principal utilização era para táxi, uma nova legislação passou a obrigar todos os táxis a serem carros com 4 portas, decretando a impossibilidade da permanência do besouro. Uma triste consequência dessa lei foi que muitos Fuscas em perfeitas condições acabaram sendo vendidos para ferros-velhos, criando enormes pilhas de vários andares de Fuscas verdes e brancos, cores dos táxis, empilhados, esperando seu tenebroso fim no compactador de sucatas.

A solenidade do encerramento da produção do Fusca no México foi um caso a parte. Além do protocolo formal, fotos, discursos e registros de praxe, vários Mariachi´s devidamente caracterizados executaram em homenagem a “El Escarabacho” a “La Diana”, composição musical dedicada aos triunfos e “Las Golondrinas”, canção para as despedidas. Nada mais adequado.

Hoje o último Fusca do mundo repousa no museu da VW na Alemanha, juntamente com um exemplar de cada série comemorativa já lançada pela VW no mundo. Este é um lugar para quem gosta de automóveis visitar algum dia.

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