Guiné Bissau: Pátria irmã na dor

Postado por: Ari Antônio dos Reis

Compartilhe

Tive a graça de ser convidado para dar aulas durante um mês em Guiné Bissau. A experiência de sair do pais, conviver com outro povo, outra cultura é valiosa. Temos uma relação histórica com os países africanos e existe um fator que nos une a Guiné Bissau, a saber, a colonização portuguesa que deixou marcas profundas na história dos povos.

Assim como o Brasil, Guiné Bissau passa por instabilidade política. Desde a independência de Portugal o país ainda não conseguiu a estabilidade política necessária para desenvolver suas potencialidades que são muitas. Segundo informações nenhum governante conseguiu completar um mandado devido aos sucessivos golpes.

Nos dois casos deveria seguir o princípio de que a preservação das instituições é fundamental para a segurança do povo e o desenvolvimento do pais em vista do bem comum. Tais instituições devem dar à população um mínimo de segurança quanto à justiça e equidade social.

Lembro que o nosso pais também passa por momentos difíceis. O impedimento de Dilma permitiu que o grupo alçado ao poder revelasse um projeto de governo garantidor dos privilégios de poucos às custas do sacrifício de muitos. As reformas em curso: teto de gastos, previdência, e trabalhista, de maior vulto; e outras de menor repercussão, mas igualmente perniciosas, objetivam responder aos ditames do mercado e não dar estabilidade ao pais; muito menos garantir uma vida digna para o povo.  

As leis do mercado não conhecem outro preceito senão o do lucro e exigem sacrifícios da população. A tarefa de um governo sério seria a mediação entre os interesses do mercado e o bem da população. Contudo presenciamos cada vez mais atitudes de descompromisso com esta prática.

 O atual governo não tem fundamentos éticos e técnicos para continuar governando o pais. Criou-se em diferentes setores da sociedade grande desconfiança sobre sua capacidade de gerenciamento.   É um governo sem credibilidade, porque subiu ao poder por um golpe e porque tem nos seus quadros pessoas comprovadamente envolvidas em processos de corrupção ou sem conhecimento dos assuntos concernentes as suas pastas.

Neste sentido nos irmanamos ao povo de Guiné Bissau no infortúnio. Teremos um longo caminho a percorrer para nos chamarmos de países democráticos de fato.

  

Leia Também Ascensão do Senhor Delações, invasões, desocupações e manifestações Não matarás Estamos no auge da sujeira ou no início da limpeza?