A volta do Destino Manifesto e do Big Stick

Postado por: José Ernani Almeida

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A Teoria do Destino Manifesto foi o elemento ideológico que fomentou a expansão territorial dos EUA no século XIX. Segundo ela, os norte-americanos estavam destinados por Deus a expandir-se, levando aos demais povos valores superiores e civilizatórios em uma verdadeira missão civilizadora.

Essa ideologia justificou, aos olhos norte-americanos, o genocídio de populações indígenas. Já no século XX, Roosevelt, adaptou as premissas do Destino Manifesto e da Doutrina Monroe (América para os americanos), a uma política intervencionista de maior contundência, visando preservar os interesses econômicos e políticos dos EUA na América, por meio da força armada.

 Surgiu, assim, o Big Stick ou Grande Porrete, como ficou conhecida essa política imperialista, que resultou em diversas intervenções armadas dos EUA na América.

O discurso de posse de Donald Trump, agressivo, xenófobo, populista e agressivo demonstrou que as velhas políticas imperialistas norte-americanas fazem parte da agenda do novo mandatário. Trump afirmou “nós seremos protegidos por Deus”, demonstrando que o povo americano é um privilegiado no relacionamento com o Criador. É a clara retomada do Destino Manifesto.

 “Vamos erradicar o terrorismo da face da terra”, afirmou Trump, o que lembra a velha política do Big Stick, do uso da força. Defende o protecionismo, critica a preocupação com o meio ambiente, quer construir um muro para isolar os EUA do México, vai desmantelar os programas sociais criados  por  Obama.

 Com relação ao México o governo Trump alega ainda o déficit comercial. Esquece, entretanto, que no século XIX, após a guerra Mexicano-Americana, pelo Tratado Guadalupe-Hidalgo, os EUA tomaram 1,36 milhões de Km2 dos mexicanos (Colorado, Utah, Wyoming, Novo México, Califórnia, Arizona, Nevada e Novo México), pagando 15 milhões de  dólares,  à título de indenização.

A belicosidade e a  estupidez  da direita  americana – que  comemora ter derrotado uma mulher e tirado um negro da Casa  Branca – são assustadores.

 Por aqui não é muito diferente. A direita reacionária comemorou a derrubada de Dilma Roussef e destila seu veneno contra Lula, um operário que ela nunca engoliu, ocupando o Palácio do Planalto.

 A Casa Grande não tolera a quebra do “status quo”. E tem mais. Aqui os adeptos de Bolsonaro, começam a acreditar na possibilidade de elegê-lo na próxima eleição presidencial. O estilo é o mesmo. Reacionário, extremista, xenófobo, homofóbico, fanático e, com um agravante, apologista da tortura e do estupro.

 Trump também surge intimidando a imprensa, chamando alguns veículos de comunicação de “mídia desonesta”. Seu assessor foi mais específico ao afirmar que a mídia deveria ser “constrangida e humilhada e manter sua boca fechada”. Uau! Para a direita brasileira, isto é, (ou era) coisa de presidentes de Repúblicas Latinas de esquerda, como Equador, Venezuela, Cuba!  O que dirá agora?

 A ascensão de Trump nos remete  à  Alemanha  dos anos  1930, quando  Adolf  Hitler chegou ao poder atraindo os descontentes e desiludidos de todas as camadas da população. Pessoas deslocadas e ressentidas que se sentiam inadaptadas à sociedade existente, os desempregados, os amantes da violência e a juventude que acabara de adquirir direitos políticos e ansiava por uma causa.

  O discurso de Hitler atraiu ao prometer ordem e emprego, a uma Alemanha que vivia uma crise econômica gigantesca. Hitler explorou como ninguém os altos egoísmos e os baixos instintos. O resultado sabemos qual foi!

 Os americanos talvez  ainda não se deram conta da monumental besteira que fizeram, embora, boa parcela, já esteja nas ruas  protestando contra  o  troglodita  da  espécie white trash,  paranoico e arrogante, que  ameaça  deportar imigrantes, fazer muros, censurar a imprensa  e romper o Acordo de Paris sobre o clima, entre outras medidas arbitrárias e discriminatórias.

Houve época em que o presidente dos Estados Unidos recebia o pomposo  título de “líder do mundo livre”.  E hoje!?

 

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