O dinheiro compra tudo?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Criamos a cultura em nossa sociedade, de que o dinheiro pode comprar tudo, incluindo a felicidade, moral, admiração, liberdade, amizades, amores e assim por diante... Os últimos acontecimentos promovidos pela Operação Lava a Jato, sob a batuta do juiz Sérgio Moro e sua equipe, estão servindo de exemplo para o Brasil e o mundo, de que os valores da justiça, da ética e da moral, não têm preço e não escolhem classe social para serem aplicados. A prisão do bilionário Eike Batista nesta semana, foi um grande marco para esta mudança de paradigma pela qual nós brasileiros estamos passando, fazendo com que toda a sociedade brasileira, veja com outros olhos a nossa justiça.

A nossa geração cresceu com o estigma de que “rico não vai para a cadeia”. Fomos acostumados a ouvir frases e a constatar na prática, a lei sendo mais rigorosa com os pobres, fato este, que fazem com que nossas cadeias, estejam lotadas de pessoas de baixa renda e com baixo nível de escolaridade. Durante muitos anos, imperou em nosso país, a lei de Gerson (o hábito de levar vantagem em tudo, mesmo de que forma ilícita), o “jeitinho brasileiro”, que nos levou a uma grande insatisfação e perda de credibilidade com a política brasileira e também com a justiça. Com a deflagração da Operação Lava a Jato, onde centenas de pessoas ligadas ao alto escalão da política e do meio empresarial brasileiro, o povo voltou a acreditar na justiça, e, principalmente, na isonomia e imparcialidade desta. Jamais se imaginou que aqui no Brasil, iríamos ver tantos políticos e empresários milionários, sendo presos como qualquer outro cidadão comum, como realmente deve ser e agir a justiça. O desfecho do sistema criminoso que se instaurou no Brasil durante tantos anos, está servindo de exemplo para o mundo, para as presentes e futuras gerações, que começam a acreditar que um Brasil melhor é possível. Hoje entendemos o quanto era nocivo ao povo brasileiro, o sistema corrompido de nossos governos. Quantas pessoas pagaram um alto preço, muitas com a própria vida, pela falta de atendimento à saúde, educação, segurança, emprego e pela exclusão de uma forma geral, tudo isso para alimentar um cartel criminoso de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, que beneficiava aos prazeres e luxúrias pessoais, de muitos dos nossos “representantes” políticos.   

O simbolismo da prisão do bilionário Eike Batista, para toda a sociedade brasileira, é algo transformador. Esta prisão, desmistifica a tese de que “o dinheiro e o poder compram tudo”. Para o povo brasileiro, que em sua ampla maioria, ganham a vida trabalhando, a prisão de Eike Batista, serve de estímulo, para acreditarmos em nossa justiça, para acreditarmos que vale a pena viver honestamente neste país, mostrando para nossos filhos, o quanto tem valor a honra e caráter de uma pessoa. Que nem tudo podemos comprar, e que o maior patrimônio que os pais podem deixar aos filhos, é o legado da honestidade, do trabalho. O país passa por um momento difícil, de crise e instabilidade econômica, porém, visualizamos um novo tempo, um novo conceito de governança, de participação política e de atuação da justiça, onde dias melhores virão. O sonho de um Brasil mais justo e igualitário começa a se tornar realidade, a democracia brasileira, amadurece a cada dia, a cada eleição. O caminho é longo e tortuoso, não será fácil mudarmos conceitos e “culturas, praticados desde o descobrimento do Brasil, mas precisamos acreditar que é possível, mesmo diante do “turbilhão” de acontecimentos que ainda estão por vir e que irão abalar a nação. O brasileiro precisa manter o seu otimismo, sua alegria e perseverança, sua versatilidade e habilidade para superar crises, e vencer desafios.

O momento é histórico e as mudanças indispensáveis. A população precisa assumir o seu protagonismo, exigindo postura dos poderes e dos agentes políticos, rigor da justiça, reivindicando direitos e garantias sociais, mas acima de tudo, dignidade para todos os brasileiros e brasileiras deste país.

“A justiça é o vínculo das sociedades humanas; as leis emanadas da justiça são a alma de um povo”. Juan Vives


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