O verdadeiro caráter do Movimento Brasil Livre

Postado por: José Ernani Almeida

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Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade” - Joseph Goebbels

 Um dos meus leitores  questionou-me sobre  o  Movimento Brasil Livre e  suas  postagens  nas  redes sociais.

Lembrei-me, imediatamente, de uma matéria que li na revista Carta Capital do jornalista e professor Gabriel Priolli, “A  Era da pós-verdade”, na qual o autor demonstra que a  informação que hoje recebemos não é mais de fontes que  duvidam, refletem, buscam interpretar a complexidade do mundo, mas que afirmam peremptoriamente, sentenciam, reiteram, constroem a  realidade conforme os lobbies que fazem ou defendem.

 Isto é o que se observa hoje na verdadeira balbúrdia das redes sociais e, na qual, está  devidamente  inserido o  MBL, que propaga  ser  “apartidário, ético e potilizado”. Ele é formado em sua expressiva maioria por cidadãos brancos e acima dos  50 anos. Com seu viés anti esquerdista tornou-se simpático da direita  golpista ansiosa por retomar o poder no Brasil, depois de  4 derrotas nas urnas.

Os integrantes do MBL não são exatamente os heróis emulados por uma parte da mídia nacional. Um de seus líderes admitiu que o grupo recebeu apoio financeiro do  PSDB que, como sabemos, foi um dos partidos promotores do golpe que derrubou a presidente Dilma. Assim, o grupo está muito longe de ser apartidário e ético, como mentirosamente alardeia.

 Até mesmo na sua cidade de origem – Vinhedo, cidade de 70 mil habitantes na região metropolitana de  Campinas  (SP) –,isto é, no seu quintal, o grupo não hesitou em adotar as velhas práticas criticadas nas manifestações  “contra  a corrupção”.

 Em Vinhedo o MBL foi comensal do ex-prefeito Milton Serafim, do PTB, que acabou condenado a 32 anos de prisão por receber propina em troca de facilitação de licenças de loteamentos.  Até mesmo, segundo o TC de São Paulo, a festa da uva da cidade apresentou diferenças na prestação de contas de gastos da prefeitura sob sua gestão.

 E o MBL, paladino da moralidade nas redes sociais, ao invés de denunciar os desmandos, o que fez? Nada. Pelo contrário, apoiou o corrupto. O vice-prefeito, Jaime Cruz, do PSDB – acusado de participação num esquema de superfaturamento da  merenda escolar da cidade –, que assumiu diante da renúncia do prefeito ganhou, igualmente, o apoio do movimento, através dos  irmãos Rennan, coordenadores nacionais do “ético e valente” movimento contra a corrupção. Uau!!! Outro integrante do  MBL é Rubinho Nunes, filho de um vereador, denunciado por venda de produtos falsificados. Vejam que postura irretocável dos fundadores do movimento!

O nascimento do MBL é nebuloso. Em 2014, cerca de dez jovens deram início a um movimento chamado “Renova Vinhedo”. Abraçados a “novas bandeiras”, apresentavam-se como “jovens e em geral fora da política”, que traziam “soluções mais modernas e de outros países”.

 Logo depois, o coordenador nacional do MBL foi flagrado em um áudio no qual admitiu que o movimento recebeu dinheiro do PSDB, PMDB, DEM, Solidariedade, todos  com integrantes envolvidos na Lava-Jato, para organizar manifestações contra Dilma Rousseff e  o  PT. É o que podemos chamar de a arte da mentira!

A jornalista Marina Amaral, no artigo “Jabuti não sobe em árvore: como o MBL se tornou líder das manifestações pelo impeachment”, publicado no livro “Por que Gritamos Golpe”, revela que o MBL “foi gerado por uma rede de fundações de direita sediada nos  Estados Unidos, a Atlas Network, da qual fazem parte  onze organizações ligadas aos irmãos Koch (megaempresários americanos do setor petrolífero, identificados com a extrema direita, interessados  em se apossar do  Pré-Sal), como a  Charles G. Koch Charitable Foundantion, o Institute of Human Studies e o Cato Institute.

Em duas décadas, essas fundações haviam despejado 800 milhões de dólares na Atlas Network, conforme informações obtidas na série de Formulários 900 entregues ao IRS (a Receita Federal americana). O Brasil passou a fazer parte da denominada Students for  Liberty, mantida pela  Atlas Network, em  2012, durante  um seminário promovido por esta organização em Petrópolis  (RJ).

 No Brasil, inspirada pela Students, surgiu a EPL (Estudantes pela Liberdade), cuja marca” passou a ser o MBL. Aqui no sul temos políticos patrocinados por este poderoso grupo de direita. Um deles é o deputado Marcel van Hatten (PP), um legítimo representante da “direita pós-moderna” brasileira e que tem seguidores fiéis   entre os novos vereadores de  Passo Fundo. 

Um deles se apresenta como o defensor do bem contra o mal. Num mundo complexo como o de hoje é um verdadeiro anacronismo. É voltar a pensar como Maniqueu, um filósofo do século IV, que dizia ser a vida dividida entre as forças  o Bem e  as  forças do Mal, numa eterna luta.

Este é o verdadeiro caráter do Movimento Brasil Livre! Ele é uma das tantas fontes que hoje povoam as redes sociais com meias-verdades e mentiras inteiras que alimentam indistintamente notícias ou delírios, em tempos obscuros de “pós-verdade”.  

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