Sobre as relações entre o pensamento e o comportamento

Postado por: Israel Kujawa

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A visão predominante da ciência moderna, em sua versão cartesiana positivista, está focada na dimensão material, passível de comprovação empírica. Esta opção, não nega a dimensão espiritual e do pensamento, mas a situa em um nível de desprestígio econômico, social e acadêmico. A diretriz deste modo de explicar o comportamento humano é uma das variáveis que ainda justificam, por exemplo, a sobreposição da medicina em relação a psicologia. No entanto, as descobertas científicas promovidas pela química e física quântica podem se apresentar como um indicativo de maior equilíbrio ou, até, da centralidade na dimensão focada nas influências do pensamento.

A ciência quântica pode ser entendida como uma forma de conhecimento que se aproxima de uma inversão do princípio cartesiano da certeza absoluta, ao demonstrar a centralidade da instabilidade e da incerteza. Estas teorias afirmam que a matéria tem propriedades associadas com ondas, que não são nenhum tipo de substância material, razão pela qual, neste modelo de átomo (como ponto de partida), o elétron não possui posição exata na eletrosfera (espaços de movimento em relação a um núcleo), nem velocidade e direção definidas. Este modelo formulado por Werner Heisenberg (1901-1976) é, também, o quinto, entre Os sete saberes necessários para a educação do futuro de Edgar Morin. A incerteza é um princípio epistemológico identificável, também em pensadores como Gaston Bachelard e Friedrich Nietzsche, entre outros. No entanto, no meio acadêmico, o princípio da regularidade consolidou a cultura que ensina apenas as certezas, como se elas fizessem parte da normalidade do currículo.

O chamado “Princípio da Incerteza” determina, especialmente nos estudos da física e da química, que a teoria dos elétrons girando regularmente em órbitas circulares, está superado pelo modelo quântico em que a certeza é substituída pela probabilidade. Associado a esta mudança do conhecimentos das ciências, consideradas como exatas, pensadores do comportamento humano como Luis Alberto Warat, Fritjof Capra, entre outros, apresentam a opção de construir descrições para o comportamento humano que não se submetem aos princípios da estabilidade, da regularidade e da certeza.  Se, a explicação para a matéria e para o comportamento não se estabelecem pela sua previsibilidade e regularidade, uma das alternativas apresentadas é busca-la no pensamento.

Esta alternativa foi buscada por pensadores como, por exemplo, Sigmund Freud e Carl Gustav Jung.  Tratam-se de duas referências que passaram pelas ciências predominantemente focadas na matéria, especificamente, na medicina, mas que são reconhecidos por suas pesquisas sobre as influências do pensamento no comportamento humano.  São, portanto, duas referências para quem deseja entender as relações entre pensamento e comportamento, bem como para entender o próprio comportamento e o comportamento das pessoas com quem convivemos.

 

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