Ter medo da liberdade e do amor

Postado por: Neuro Zambam

Compartilhe

A capacidade e as condições de agir livremente e estabelecer relações é uma necessidade humana essencial para que as pessoas possam conviver em família, com os amigos e em sociedade, assim como, tolerar (ou amar, como diz o Evangelho) os inimigos.

O Papa Francisco, em pronunciamento nesta semana, esclarece com especial sapiência, numa afirmação curta e completa, mas recheada de sabedoria, o significado da lei do amor e sua conexão com a liberdade humana, característica básica da fé cristã e essencial para a justiça social, com o respeito à pluralidade, a superação de conflitos e a organização das sociedades democráticas mais evoluídas.

Afirma Francisco: “Os rígidos têm ‘medo’ da liberdade que Deus nos dá, têm ‘medo do amor’”.

A dinâmica da vida e suas relações é recheada de contratempos, controvérsias e conflitos que afetam diretamente a forma de pensar e agir das pessoas. Nesse contexto as relações precisam evoluir a fim de dar a todos a oportunidade de construir o sentido da vida de forma equilibrada e altruísta.

A negação do direito à liberdade é uma atitude autoritária, inflexível e própria de uma motivação pautada pelo auto interesse. Nas relações econômicas é a radicalização da lógica do mercado, nas relações pessoais é a opção pelo individualismo moral, na política pelo sectarismo e na religião o fanatismo.

A rigidez que impede a capacidade de amar, relatada por Francisco, é a síntese desse ambiente perverso que negligencia a identidade humana e as capacidades humanas e sociais.

O medo parece revelar a impotência das pessoas de perceber o seu entorno, olhar o seu semelhante com naturalidade, perceber a sua normalidade, os seus limites e as suas potencialidades.

A coragem de amar oferece as condições para ampliar os horizontes e visões de mundo porque não limita o mundo ao que está perto, mas indica para além de uma visão e desperta para o infinito. Lá está a liberdade.

Para consulta: http://www.ihu.unisinos.br/564638-papa-pede-para-nao-se-refugiar-na-rigidez-dos-mandamentos

Leia Também Ascensão do Senhor Delações, invasões, desocupações e manifestações Não matarás Estamos no auge da sujeira ou no início da limpeza?