A defesa do indefensável

Postado por: Marcel Van Hattem

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A partir desta segunda-feira, neste espaço, conheça a opinião do deputado estadual Marcel van Hattem, sobre os mais variados assuntos.


É com muita satisfação que escrevo este primeiro texto para o blog da Rádio Planalto. Semanalmente, terei a oportunidade de apresentar aqui minhas ideias sobre os temas da atualidade, principalmente sobre as novidades da política.

Neste primeiro artigo, tomo a opinião de um outro colaborador do blog da Rádio Planalto como base para, primeiramente, esclarecer alguns pontos que são contrários às minhas ideias e para deixar claro que não condizem com a realidade da minha atuação. José Ernani de Almeida, no texto intitulado “O verdadeiro caráter do Movimento Brasil Livre”, citou que o MBL é o maior exemplo da chamada “era da pós-verdade”, que utilizaria de mentiras, repetidas inúmeras vezes, para fazer com que fossem vistas como verdades. No mesmo texto, fui citado como sendo “patrocinado pelo MBL” e “um legítimo representante da direita pós-moderna”.

Estou acostumado a sofrer ataques de representantes e seguidores da esquerda, assim como o MBL. Afinal de contas, durante muito tempo essas pessoas que hoje atacam foram tidas como autoridades que não poderiam ser confrontadas. Agora que a população brasileira conseguiu identificar que o discurso político dos eleitos pela esquerda é uma grande falácia, a agressividade passou a ser a única ferramenta capaz de convencer a militância de partidos como PT e PSOL a seguirem com narrativas pouco críveis como a de que houve um golpe no Brasil para que houvesse o impeachment de Dilma Rousseff.

O texto prossegue sugerindo que todos os que foram às ruas seriam simples “patrocinados” por quem tem interesses partidários ou até econômicos, pois seria impossível o povo estar insatisfeito com os governantes supostamente maravilhosos que guiavam o Brasil para o primeiro mundo. Será mesmo? É claro que não. Milhões de pessoas foram às ruas para expressar espontaneamente a sua insatisfação com o altíssimo desemprego, com o descontrole da inflação, com a identificação dos políticos dos mais altos cargos com líderes populistas, ditadores de nações símbolo do atraso, com os escândalos de corrupção, com a mentira contada nas eleições presidenciais.

Tudo isso, claro, é omitido por quem faz uma defesa sem argumentos sólidos, por quem não consegue aceitar o fato de que o castelo de areia que estava sendo construído, desmoronou. A prova disso é o pleito de 2016, já pós-impeachment, que tirou o PT da liderança na soma total de votos para rebaixá-lo para a oitava e última colocação dentre os maiores partidos do país nas eleições municipais. 

Isso não diz nada? Já passou da hora de esquerdistas deixarem sonhos adolescentes de lado, de pararem de colocar a culpa do mundo somente onde há capitalismo. O discurso politicamente correto – abandonado apenas na hora de atacar opositores políticos – está sendo questionado pelo mundo afora e a esquerda continua agindo da mesma maneira, como se ainda estivesse na crista da onda.

Se tiverem dúvidas sobre quais países devemos ter como modelo, basta consultar o índice de liberdade econômica da Heritage Foundation, que coloca o Brasil na vergonhosa 122ª colocação. O índice faz uma comparação que leva em consideração aspectos como aplicação da lei, atuação do governo, qualidade de serviços públicos, e vários outros pontos importantes para a qualidade de vida do cidadão. Na América Latina, o Chile é o país que melhor figura no ranking, enquanto Venezuela e Argentina, parceiros tão benquistos pelos governos petistas, ocupam as posições 169 e 176, respectivamente – aqui vale lembrar que o ranking é feito com 178 países, e Cuba e Coréia do Norte ocupam as duas últimas colocações. 

A política deve ser feita com acompanhamento diário dos fatos, sem paixões irracionais, com participação e proposições realistas. Mentiras, nesta época em que a informação corre sem qualquer controle via internet, podem enganar alguns poucos, mas tendem a ser desmascaradas e terem efeito inverso ao pretendido por quem prefere fixar-se em "narrativas" em vez de fixar-se na verdade dos fatos.

 


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