A mente e a matéria

Postado por: Israel Kujawa

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Sigmund Freud (1856-1939) é uma das principais referências para quem deseja um entendimento da estrutura e do funcionamento mental. A mente humana segundo Freud é composta por três partes, denominadas de Id, Ego e Superego, que atuam integradas, incluindo aspectos conscientes e inconscientes. São conceitos abstratos, suas definições permanecem inconclusas, mas podem ser apontadas como caracterização inicial, basilar ou ponto de partida para os estudiosos do comportamento humano.

O Id está relacionado com os impulsos ou instintos e é considerado inato. Está localizado na zona inconsciente da mente, movido a partir de estímulos instintivos e caracterizado como amoral. O Ego é a parte consciente da mente, responsável por funções como percepção, memória, sentimentos e pensamentos. Trata-se da parte mental responsável pela interação entre sujeito e ambiente externo, levando em consideração as normas éticas. O Superego é componente moral e social da mente. É a dimensão composta pela herança cultural e pelas regras sociais de conduta.

Uma das diretrizes centrais, no estudo da mente, indica que a maioria dos processos que determinam nossos pensamentos, sentimentos, percepções e desejos acontecem inconscientemente. Não apagamos da mente nossas lembranças mais antigas, mas, a maior parte delas não compõem a dimensão consciente. No entanto, este histórico passado, apesar de não fazer parte da consciência, afeta os sentimentos e o comportamentos atuais. Antes de Freud e da sua teoria psicanalítica, o inconsciente não era tematizado pela ciência, após se constituiu como individualidade psíquica de cada ser humano que detém conteúdos que influenciam na consciência. Em uma linha evolutiva, neste método de construção do conhecimento, Carl Gustav Jung (1875-1961), criador da psicologia analítica, apresenta o inconsciente caracterizado por uma dimensão pessoal e por outra coletiva, advinda da própria história e da história de vidas dos antepassados.

Apesar do reconhecimento da importância e da centralidade da mente humana, apresentada e defendida por autores destacados, a cultura materialista, da matéria como ponto de partida, continua predominando na teoria do conhecimento (epistemologia) e na análise dos comportamentos. As crises sociais, decorrentes das certezas dos ditadores, das guerras e do uso desumano (instrumental) da ciência, bem como a evolução do conhecimento visualizado, especialmente na física, na química e na psicologia justificam o que pode ser nomeado como inversão das bases do conhecimento humano. No entanto, a dimensão ditatorial da certeza cientifica, do funcionamento institucional e o autoritarismo das pessoas, dificultam a construção do conhecimento apoiado em novas bases, apoiado na mente.

 

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