Meteoro

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Semana passada contei o causo do meu amigo padre e seu fusquinha 68 bege. Hoje vou contar outro causo que envolve um Fusca. Na verdade, o próprio dono do Fusca, meu amigo Roberto Ceconello, de Indaiatuba, São Paulo, vai narrar sua epopéia com o Meteoro, seu Fusca Itamar.

“Quando fiz 18 anos, ganhei do meu pai um fusca 1996, marrom metálico, com 5 mil km rodados. - Esse é o primeiro carro de todo homem!  disse ele.

Eu era moleque, queria um Palio, Corsa, Gol, mas fiquei feliz. Não tanto quanto teria ficado com qualquer um dos “descartáveis” citados acima. Apesar disso, primeiro carro, primeiras experiências, primeiras viagens. Andávamos de skate, punk rock no toca-fitas Pionner. E ele sempre junto, firme, forte e barulhento. Quase 2 anos depois o vendi para um senhor da minha cidade, que o deu de presente para a sua esposa. Cobrei 2 mil reais acima da tabela da época. “Negocião hein!” Pensei comigo. Comprei um Palio.

A vida passava. Saía de casa para o trabalho e sempre o via (o Fusca), paradinho em um parque da cidade onde o senhor e sua esposa iam caminhar. O Meteoro lá, lindo sob o sol.

Namorei outras garotas, comprei outros carros. Uma Corsa picape, um Ka. Um Celta. Um Pegeout 206. Fui à falência. Me recuperei. Um Corsa. Viajei muito com o Corsa. Roubaram o Corsa. Um Agile. Fui à Lindóia em 2008. Vi um Fusca lá. Lindo. E decidi: “Vou comprar o meu Fusca de volta!”

Novembro de 2012. Depois de caçar o telefone do atual proprietário por listas telefônicas e agendas antigas, um amigo conseguiu o número. Liguei.

- Sêo Avelino, aqui é o Roberto. Quero meu primeiro carro de volta. Quanto o senhor quer? - Não vendo. - Vende sim! Foi meu primeiro carro, tenho memórias imensas dele e com ele e fiz a maior besteira do mundo ao vendê-lo. Não sei o estado atual e não me interessa, mas quero comprá-lo mesmo assim! - Vou pensar no seu caso, ok? – Anota meu telefone. Me liga quando? – Em 3 semanas.

Passaram-se as 3 semanas e ele me ligou. Gelei. – Roberto, quero 10 mil no Fusca. – Passa lá em casa no sábado, respondi, quero ver se ele está bem.

Acordei cedo no sábado. As 5:30 eu já estava acordado. As 9 da manhã tocou o interfone e lá estava ele. Claro, com algumas marcas do tempo, afinal, são 16 anos de uso.

- Sêo Avelino, tá legal o carro, mas vou gastar para deixá-lo 100%. Me dê algumas semanas que eu ligo e falo quanto posso pagar, ok? – Quero 10 mil, vou comprar um carro zero pra minha esposa, setenciou ele.

Fiquei feliz em ouvir isso. Por ela e muito mais por mim, hehehe! Demorei algumas semanas e ele me ligou. – Ô Roberto, vai comprar o carro ou não? – Ô sêo Avelino… quero, mas não posso pagar o que o senhor pede… - Quanto você pode? – Olha, pelos custos que vou ter, uns 6 mil. – Ah… não dá… 9 mil e pode vir buscar. – Não tenho isso, infelizmente. – Então fica pra próxima. Obrigado assim mesmo.

Desliguei e fiquei triste. Pra falar a verdade, bem triste. Resolvi investir o dinheiro em um carro novo também. Já tinha até marcado para ver o “New alguma coisa” no final de semana. Mas na sexta, jantando na casa da minha namorada, tocou o celular. – Ô Roberto, ainda quer o Fusca? – Ô sêo Avelino, claro que quero! – Olha, vou fazer o seguinte, para você que gosta dele, 7 mil e meio  e pode vir buscar. - Sêo Avelino, seguinte: ele fez o senhor e sua esposa felizes por 14 anos. Em 98 o senhor pagou 7 mil nele. Devolvo o mesmo valor e fechamos. – Tá bom, pode vir pegar.

Hoje, ao lado do Agile em minha garagem, está o Meteoro! Com quase 100 mil km a mais, mas inteiro e firme. E barulhento. Com aquele cheiro de Fusca delicioso! Meu de novo! E daqui NUNCA MAIS vai sair! Um dia, passeando com minha namorada no Meteoro, alguém vai me ver muito feliz.

Certas coisas tem que acontecer. Ao seu tempo.

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