Dicas de cinema

Compartilhe

Dentre as maiores tarefas de ser humano, de compreender, profundamente, a nossa humanidade, é a autocrítica. (In)felizmente, todo o nosso modo de conhecer o mundo e, ao mesmo tempo, conhecer o nosso “Eu”, depende das nossas sensações e pensamentos. Não temos outros dispositivos capazes de sinalizar o que é o existente e a existência. Reconhecer os nossos limites, aprender, de modo permanente, em diferentes lugares, com diferentes experiências e pessoas, demonstra a finitude e o alcance de nossos horizontes. Eis uma virtude na qual precisa ser cultivada para que não nos tornemos cegos diante de nossas certezas habituais, as quais surgem de modo tão precário. Existir demanda tempo, paciência, coragem e um constante aprendizado. É dentro dessa lógica, desse terreno fértil, que surge a clareza da humildade, tanto no sentido teórico, quanto -e especialmente – prático. Ao se parar, nem que seja um breve momento, para se pensar nessas palavras, vejamos como as sugestões de filme e série para o final de semana podem descrever esse cenário.   

Hoje, a minha sugestão de filme é para os fãs de quadrinhos. Doutor Estranho (Doctor Strange – no original), narra como Stephen Strange (interpretado por Benedict Cumberbatch) era um neurocirurgião famoso e talentoso, confiante nos saberes e conhecimentos do Ocidente, sofre um acidente e perde a sua habilidade de trabalhar com as mãos. Essa situação o tira de sua “zona de conforto” e busca, desesperadamente, todas as formas de tratamento para recuperar a sua antiga vida e profissão. No entanto, a sua peregrinação o levou ao Tibete, em Katmandu, e ali conheceu os saberes místicos do Oriente. A anciã – a qual ensinará o Doutor Estranho as suas habilidades - desafia o supervalorizado ego de Stephen: Você acha que conhece como funciona e age a realidade? Como é esse multiverso? Logo, Stephen começa a sua nova vida, no qual ainda insiste – em parte – no seu ego – e, aos poucos, descobre inimigos fanáticos que pretendem destruir a vida (ou não?) e reivindicar esses saberes místicos à entidade chamada Dormammu. No entanto, e aqui fica a minha pergunta aos leitores e leitoras: O que traz sentido ao viver? A vida ou a morte? Descubra com o filme!             

A minha recomendação de séries para a NETFLIX se direciona aos amantes de comédia e ficção. Nesse caso, uma boa opção é a Santa Clarita Diet, com a Drew Barrymore. A sua personagem, mãe de família, começa a ter sensações estranhas, porém consideradas normais, como se fosse qualquer dia de nossas existências. Essas implicações, ao longo da série, se mostram, contudo, diferentes, pois agora ela tem a necessidade de sempre comer pessoas. Essa atipicidade, todavia, não é vista com tanto medo ou indiferença pela família, ao contrário, precisa-se, agora, encontrar novos meios de como alimentar a esposa/mãe. Essa condição não apenas trará novos desafios familiares, mas permitirá, também, que cada pessoa nesta família encontre outros significados para se viver. Essa é uma boa opção de série para quem deseja se divertir com zumbis numa perspectiva muito diferente.      

Leia Também O trigo e o joio Momento de tensão na 7ª CRE Segurança pública por Paulo Sant’Ana Que a gente não perca a sensibilidade