A economia, a justiça e a política

Postado por: Israel Kujawa

Compartilhe

Um ponto de partida elementar para entendermos o que é a economia está na análise da nossa sustentabilidade material e financeira.  A primeira está vinculada com a dimensão prática, também denominada de ética da economia. A segunda, a financeira, inclui os recursos que podem ser investidos em aplicações, poupança por exemplo, também, identificados como economia especulativa. Nem sempre é fácil diferenciar: se nossos investimentos materiais são movidos por uma necessidade, por um desejo ou por uma aposta em ter retorno financeiro. Todos os investimentos que não sejam decorrentes de necessidades humanas, nos quais se incluem os especulativos, como imóveis (casas, terras) e aplicações financeiras, se incluem no que Aristóteles (384 a C - 322 a C) denominou de engenharia da economia e são distintos da dimensão ética.

Do mesmo modo, ao conceituarmos justiça, se faz necessário perceber a existência de duas dimensões. Uma vinculada ao que Amartya Sen caracteriza como institucionalismo transcendental, no qual a justiça é formal, institucional e abstrata. Outra reconhece a impossibilidade de construir instituições políticas perfeitas, focando na escolhas humanas e orientando para que sejam as mais justas entre as alternativas concretas. Esta dimensão se apoia em pensadores que reconhecem a impossibilidade de uma fundamentação racional única e capaz de definir um critério único e perfeito de justiça.

Para Aristóteles o homem é naturalmente político, pois é um ser que necessita de coisas e dos outros. Do mesmo modo que os conceitos de economia e de justiça, o conceito de política sofreu uma ruptura entre as dimensões formais, institucionais e a dimensão existencial e do mundo vivido.  Nesta ruptura, ocorreu o fortalecimento social de uma visão equivoca, afirmado que a política é algo nocivo, que não pertence ao cotidiano, que pode e deve ser evitado. A materialização desta visão é uma das variáveis que explica a opção da população em eleger um representante, com a ilusão de estar escolhendo alguém que não é político ou que não pratica a política.

Por mais que as especialidades do positivismo acadêmico apregoem e apoiem a divisão entre justiça, economia e política, o ser humano e seu comportamento demonstram que esta divisão não se materializa no mundo vivido.  A ação política é uma condição intrínseca das pessoas que vivem em sociedade, seja ela um professor, um gestor, um psicólogo, um advogado, um promotor ou um juiz. Pode ser exercida em nome de valores formais, abstratos, institucionais, sob o argumento da impossibilidade de considerar a vida e as necessidades concretas das pessoas, no qual está incluído a dimensão prática da economia e da justiça. No entanto, a atual momento social brasileiro, demostra que pessoas e instituições, interferiram e interferem no funcionamento da política e da economia em nome do falso argumento de estarem agindo apenas em nome das leis e das necessidades institucionais e jurídicas.

Leia Também Falecimento de titular de firma individual causa a extinção da execução fiscal Treinamento psicológico e o efeito no grupo A ciência como ferramenta para a sabedoria Quebra-molas são permitidos, “em casos especiais”