Cego é quem não quer ver

Postado por: Israel Kujawa

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O atual contexto social brasileiro está permeado por profundas instabilidades e incertezas políticas, jurídicas, e econômicas.  O clima otimista, de crescimento econômico, com sobras nas oportunidades de trabalho e de qualificação profissional, foi substituído por uma “onda” de instabilidade, de pessimismo e insegurança generalizada.  Esta onda passou pelo Brasil nas manifestações com “pautas difusas” em 2013, voltou com o movimento “não vai ter copa” em 2014, se acentuou com o movimento “fora Dilma” em 2015 e teve culminância na deposição radicalizada, divisionista e juridicamente polêmica, da Presidenta brasileira em 2016.

Em 2017, vivenciamos um cenário social com agravamentos na instabilidade e na insegurança.  Para realizar uma análise adequada e satisfatória deste contexto social, se faz necessário superar a visão e o discurso limitado, que está colonizado na subjetividade de milhões de brasileiros. Esta visão que vincula o atual negativismo com a corrupção praticada por alguns líderes políticos e, especialmente, por   um partido político, é reproduzida e enraizada nas subjetividade individuais, por matérias jornalistas, por textos de colunistas que ocupam espaços na imprensa e por intelectuais com visões sem aderência em fatos e sem conexão social,

A superação desta análise limitada, pressupõem a capacidade de identificar modelos de organização social. Nisto se inclui, especialmente, a especificação das funções do Estado e do livre mercado. Os fatos demostram que as intervenções econômicas gerenciadas pelo estado, na primeira década deste século, foram também as razões do otimismo momentâneo de milhões de pessoas que adquiriram automóvel, viajaram usando aeroportos e passaram a frequentar o ensino superior. O mercado aproveitou a oportunidade e acelerou a expansão em diversas áreas ampliando os ganhos econômicas. No entanto, a parcela da sociedade, que foi forçada a dividir espaços no trânsito, nas universidades e nos aeroportos com pessoas de outras classes sociais, começou a externalizar com maior intensidade, seus descontentamentos, a partir de 2013.

Por fim, visualizar de forma adequada as mudanças ocorridas com a substituição da Presidenta Dilma, pelo Presidente Temer implica em sair do debate sobre o nível de corrupção maior ou menor do grupo que gerenciava Estado Brasileiro até 2016 ou do grupo que está gerenciando em 2017. Além de se distanciar do falso debate sobre corrupção, que está presente no livre mercado, nos poderes executivo, judiciário, legislativo e na sociedade, se faz necessário exigir medidas que imponham a maior contribuição econômica das parcelas da sociedade que tem recursos acima da média. Nisto está incluído uma reforma tributária com cobranças de impostos de quem possuiu bens materiais e recursos econômicos além do necessário, no lugar da atual proposta de reforma da previdência que penalizará as camadas sociais com menor poder aquisitivo.

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