O dia da mulher e a luta pela emancipação feminina

Postado por: José Ernani Almeida

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O sistema patriarcal, através de construções ideológicas misóginas e machistas, sedimentou a ideia de inferioridade da mulher em relação ao homem. Por muito tempo a mulher ficou restringida a uma imagem limitada e distorcida de si mesma. Ela foi silenciada; suas aptidões desprezadas, sua capacidade intelectual subestimada; suas idéias, desdenhadas, seus talentos ignorados e desperdiçados.

Assim, ao longo de séculos, identificar uma imagem positiva das mulheres na história da humanidade se tornou tarefa quase impossível.Com algumas exceções, a mulher praticamente sumiu da história. Ao longo dos tempos de patriarcado, a mulher deveria corresponder, incondicionalmente, às expectativas masculinas e em trocar receber proteção e sustento.

A mulher ideal deveria ser dócil e frágil para pertencer a um homem. O patriarcado determinou que as mulheres fossem inferiores e, portanto, submissas  aos homens ,e estes, superiores, dominadores. Esse sistema foi tão forte que se confundiu com o ser, sentir e pensar da humanidade.

Nesse modelo patriarcal, as mulheres nasciam com o destino traçado, as jovens eram educadas para corresponder aos respectivos papéis de esposas zelosas, boas donas-de-casa e mães dedicadas em tempo integral. Os desejos e os sonhos femininos eram ignorados, as mulheres não eram ouvidas, ou melhor, nem sequer se manifestavam, pois eram educadas para o silencio, a resignação e a obediência.

Ao longo da Idade Média predominou a misoginia, baseada no ódio às mulheres e na aversão total a tudo que se relacionava com elas. Ao interagir com o machismo no sistema patriarcal, potencializaram-se.Com a chegada do Renascimento, as mulheres esperavam por tempos melhores, mas que, só chegaram para o sexo masculino.

 Agraciar o sexo feminino com as transformações renascentistas seria caminhar a passos largos para a emancipação feminina. Na segunda metade do século 18 uma ideologia democrática e humanitária, de forma epidêmica, contaminou toda a Europa – partindo da França – com uma extraordinária convicção de Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

Surgiram movimentos de vanguarda em prol da paz, da vida, das liberdades individuais e, dentre esses, o movimento pela igualdade de direitos entre homens e mulheres cresceu e germinou. Era o Iluminismo, que representou para as mulheres, a tão sonhada oportunidade de emancipação.

Os escritores e filósofos do movimento, às vésperas da Revolução Francesa, exploraram a emancipação feminina nos seus programas políticos, reivindicando o direito à cidadania e valorização do desempenho da mulher no mundo masculino. Apesar dos avanços terem sido pequenos, o movimento pela igualdade de direitos entre homens e mulheres germinou.

A revolução industrial do século 19 e as duas grandes guerras mundiais trouxeram uma nova realidade que alteraram valores de caráter político, moral, ético e, conseqüentemente, os desejos de realização pessoal e profissional que atingiram de forma radical o mundo das mulheres.

Suas  conquistas ganharam força com a descoberta da pílula anticoncepcional e com as inovações tecnológicas. Para a historiadora Patrícia Rocha, autora do livro  Mulheres Sob Todas as Luzes ,”o verdadeiro responsável pelo engrandecimento do status quo feminino foi o acesso  da mulher ao conhecimento. Bastou uma fenda na parede do aposento privado para que as luzes do conhecimento elucidassem a vida feminina e, sob todas as luzes, a mulher marchou reivindicando a tão desejada liberdade. A mulher saiu da ignorância em que vivia e lançou-se no mundo dos conhecimentos e das oportunidades, deslumbrando-se com as novas descobertas e possibilidades”.

Na verdade a construção da identidade da nova mulher está intimamente ligada a sua inserção no mundo profissional. A realização profissional trouxe às mulheres autoestima, sentimento de pertencimento e de utilidade, além, de independência. Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, gostaria de lembrar da letra de uma das mais inspiradas criações do grande Gilberto Gil, para  homenageá-las:

“Um dia/Vivi a ilusão de que ser homem bastaria/Que o mundo masculino tudo me daria/Do que eu quisesse ter/Que nada/Minha porção mulher que até então se resguardara/É a porção melhor que trago em mim agora/E que me faz viver/Quem dera/Pudesse todo o homem compreender/Ó mãe quem dera/Ser o verão o apogeu da primavera/E só por ela ser/Quem sabe/O super-homem venha nos restituir a glória/Mudando como um deus o curso da história/Por causa da  mulher”.

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