Sobre os limites do pensamento binário

Postado por: Israel Kujawa

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Pensamentos binários são maniqueístas, originalmente se refere a um dualismo, cuja base teórica consiste em afirmar a existência de um conflito entre duas dimensões que são a do bem e a do mal. Um dos piores resultados deste maniqueísmo é a petrificação e paralização do pensamento, que fixa o significado em apenas duas possibilidades, desconsiderando as infinitas possibilidades que compõem o que denominamos de realidade. Esta restrição e paralisia no modo de pensar resulta em compreensões limitadas do comportamento individual e social das pessoas e da natureza.

A análise do pensamento, evidenciado no comportamento das pessoas, demonstra a baixa frequência de conexões entre contextos que extrapolem os limites do tempo e do espaço físico. Geralmente, o pensamento não vislumbra correlações diretas entre os fenômenos, em dadas circunstâncias, com outros contextos. Além disto, o aspecto mais paralisante e ineficaz é a separação política, acadêmica e científica, entre o que é teórico e o que é prático. Este modo de pensar cristalizado pelas especialidades da cultura moderna resultou no que Edgar Morin denomina de pensamento patológico. Trata-se de um modo unilateral e linear, apoiado no método cartesiano/positivista, que é sustentado pela lógica binária, apoiada na identificação da oposição entre certo e errado, entre conhecimento e não conhecimento.

Este pensamento, por exemplo, defende que homens são masculinos e mulheres são femininas, o que reduz significativamente as possibilidades de entender comportamentos que transcendem os limites destas noções normativas de identidade. Ao observar pessoas que conhecemos, constataremos que ser homem não necessariamente significa ser masculino, no sentido restrito do comportamento previamente estabelecido para a função.  Além disto, ser mulher não implica, obrigatoriamente, em seguir um comportamento restrito a funções estabelecidas para o comportamento feminino.

Em sua teoria sobre pensamento contemporâneo, Bauman informa e promove compreensões de mundo pautadas em pluralidades interpretativas e comportamentais das pessoas, da sociedade e da natureza. Evidencia uma compreensão de mundo em que é necessário aceitar a multiplicidade de identidades que compõem a grande diversidade humana. Como consequência, um número indeterminado de possibilidades, aceitas como plausíveis, passa a ocupar o espaço restritivo imposto por apenas duas formas de compreender. Por isso, romper com as restrições do modelo binário, que pode petrificar e paralisar o pensamento, representa a possibilidade de superar a compreensão limitada da realidade.

 

 

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