Os R$ 17 milhões na Avenida Brasil e o interior

Postado por: João Altair da Silva

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Não tem lógica a prefeitura de Passo Fundo investir R$ 17 milhões na Avenida Brasil, enquanto os caminhões continuam atolando no interior.

Percorro a Avenida Brasil todos os dias não vejo nenhum buraco. Enquanto isso recebo as fotos de um caminhão de leite atolado na estrada de Santa Gema, outro de ração para aviários atolado na estrada de São Miguel, na manhã dessa segunda-feira. Me ligou um agricultor de Capinzal, (Sr. Laidens) informando que deixa a própria caminhonete na casa do vizinho porque ele não tem como chegar em casa em dias de chuva. O agricultor Adivar Felini de Nicolau Vergueiro disse que vai parar de vir a Passo Fundo vender aipim porque do Rio Jacuí em direção a cidade não consegue trafegar com regularidade, consequentemente, não pode fornecer os produtos e perde clientes. Na Expodireto, ouvi os lamentos do agricultor Mário Piccinini de Pulador, dizendo que no ano passado as estradas da localidade já estavam ruins e nesse ano estão piores. Jairo Dal Bello, agricultor de Capinzal, foi outro que telefonou para o programa Mundo Rural, dizendo que a ponte que liga Nossa Senhora das Graças à São Valentim, não permite a passagem de uma colheitadeira. Mais adiante, em Santa Gema, diz João Carlos Della Mea, se propôs, há dois anos, doar pedras e colocar, juntamente com os vizinhos, até quatro caminhões para ajudar no transporte a fim de consertar a estrada até a RS-153, mas nem assim foi ouvido. Gilson Rezende, feirante, relatou sábado pela manhã que não conseguiu trazer mercadoria, no dia anterior, desde sua localidade de São Miguel porque a estrada não dava condições. “Falta pedra, Dipp ficou oito anos sem colocar pedra, Luciano vai para cinco anos e também não colocou pedra, não existe estrada que suporte”, disse ele. Outro feirante, Delavi Dorneles, relata que a estrada de São Valentim a São Pedro do Jacuí, só passa de trator.

Um conceito maior da economia é de que trata-se da ciência dos recursos escassos. Uma administração pública nunca vai conseguir atender todas as demandas. Elas serão sempre maiores de que a capacidade financeira de atendimento. Por isso, dinheiro público deve ser investido em prioridade. Não é crível que se aporte R$17 milhões em novos asfaltos, em ciclovia, em caminhódromo de uma via pública que não tem nenhum buraco e deixe o interior do jeito que está.

Entidades como a Acisa, CDL, Sincomércio, Sinduscom, que dependem em grande parte do desempenho da agricultura, precisam ajudar os sindicatos de trabalhadores rurais e rural nesse pleito. Não há sensibilidade na administração com o interior. Isso é notório na fala dos gestores. Em seus discursos não fazem alusão ao município e sim a administração da cidade. Para eles, a roça inexiste. A colheita de soja está começando. Vão arrastar a soja de trator até o asfalto.

A prefeitura alega que não consegue licenciar pedreira para retirar o chamado moledo, material que assegura mais durabilidade nas estradas. Essa alegação já tem uns três anos. Importante, que pequenas prefeituras de municípios pequenos conseguem o referido licenciamento! Fonte do Conselho de Desenvolvimento Agrário sustenta que essas licenças são de competência do município. Então, como disse Della Mea, falta vontade de fazer. O interior tem menos de 3% dos votos. Não há outra explicação, pagam o preço da falta de peso político.  

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