O conhecimento é transdisciplinar

Postado por: Israel Kujawa

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Costumamos reproduzir alguns pensamentos como se eles estivessem claros e corretos. No entanto, no momento que exercitamos a reflexão, que é pensar o próprio pensamento, as palavras e os conceitos utilizados demonstram sua obscuridade e sua complexidade. Quando proferimos ou reproduzimos pensamentos sem um sentido objetivo, estamos inconscientemente, reproduzindo conteúdos petrificados de uma cultura específica. Um exemplo ilustrativo, destra reprodução mecânica e irreflexiva, pode ser visualizado no comportamento da educação formal, seja ela de nível básico ou   superior.

A opção por enfrentar o debate e a reflexão, com o objetivo de visualizar o sentido da educação, implica em explicitar os sujeitos reais da mesma. Ao optar por este comportamento, será possível identificar que os ideais de ser humano e de sociedade podem entrar em contradição e em confronto com os objetivos do mercado. Ao pensarmos o ser humano, devemos entendê-lo, não apenas como produto, mas também como sujeito construtor da sociedade. Ao explicitar o sentido do mercado, podemos identificar as contradições, disputas e confrontos entre o lucro e os ideais humanos e sociais.

Os recentes debates sobre a adequada seleção e organização dos conteúdos, para que eles sejam interligados, conectados com o mundo vivido e tenham sentido, passaram pela defesa da conexão de áreas do conhecimento e da interdisciplinaridade. No entanto, esta defesa teórica reproduzida por especialista em educação e formalizada por planos de gestão pedagógica, não evoluíram e não evoluem. As constantes reformas curriculares, agregando ou eliminando disciplinas, não contribuem para efetivar a necessária interligação e conexão dos conteúdos.

A educação se efetivará, como um prática com sentido, se considerar e partir dos conteúdos advindos das possibilidades da vida concreta. Um indicativo está nas produções de pensadores, como Amartya Sen, que apesar de ser etiquetado e premiado como economista, desenvolve conteúdos que partem das pessoas. Os temas apresentados nos seus livros, em que os títulos propõem, as pessoas em primeiro lugar, ética na economia e a reflexão sobre as ideias de justiça, se apresentam como opção para quem deseja praticar a educação com sentido. Ao seguirmos este indicativo estaremos partindo da vida concreta e de situações problemas, nos distanciando do comportamento disciplinar e praticando a transdisciplinaridade.

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