A administração da Casa Comum

Postado por: Neuro Zambam

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A ética do cuidado foi um tema discutido largamente no século passado, especialmente após os massacres da Segunda Guerra Mundial, onde ficou exposto para o mundo o alcance das patologias políticas, da instrumentalização das pessoas, do mau uso das instituições e da ilusão de sociedades que depositam a sua confiança em uma única pessoa. Hitler não foi criado pelo acaso.

A ilusão do poder do homem sobre a natureza, levado ao exagero nos últimos 500 anos, conduziu a catástrofes naturais que, se não forem sanadas ou revertidas, conduzirão a desastres incalculáveis e de proporções como os citados anteriormente, somente com outro endereço: os bens naturais e ambientais.

Antes, as armas bombas e outros artefatos bélicos destruíram milhões de pessoas. Hoje, a ausência de prevenção e correção poderão destruir formas de vida fundamentais para o equilíbrio humano, social e natural. Os sinais são visíveis e as consequências pesam sobre as condições de vida das pessoas e da organização das cidades, especialmente. No campo e nas regiões longínquas, a voracidade do mercado e seus instrumentos sem controle, acompanhados pela ausência da atuação do Estado, caminham para o desequilíbrio do dolo, das águas e das matas.

A Campanha da Fraternidade deste ano reflete sobre a qualidade dos mananciais. Renova-se a atualidade do cuidado, cuja responsabilidade é do ser humano, posto em local “privilegiado” para exercer a sua missão de cuidador e administrador de forma equilibrada e sensata.

O cuidado com a qualidade da água é sinal de preocupação com o conjunto das formas de vida e com a equidade social. Sabendo que sem água não há vida, recordamos as inúmeras formas de vida, assim como a necessidade de haver séria preocupação com as futuras gerações.

De uma preocupação ideal, própria de líderes altruístas, devemos passar para ação de cada dia. O cuidado dos mananciais repercute no uso que fazemos da água e da comida diariamente. O esbanjamento de água é da população e não das autoridades.  O excesso de comida desprezada todos os dias nas mesas de quem precisa mostrar aos outros, o que têm ou nas churrascadas que esbanjam o que falta na mesa daqueles que depois recebem moedas de esmola, é obra não da cozinheira e não dos produtores. O desperdício dos produtos da terra é alarmante e não é culpa dos dirigentes, mas da cadeia que começa no plantio e termina nos mercados ou nas mesas.

O cuidado da vida humana, da natureza e da sociedade é um discurso interessante e necessário, mas precisa repercutir nas pequenas e grandes ações. Sem isso, o discurso da bondade e da boa administração, se esvaziam no tempo. O cuidado da casa comum é missão de todos.

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