Carne é fraca: o papelão da Polícia Federal

Postado por: João Altair da Silva

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A saúde do consumidor está em primeiro lugar. Na produção de alimentos, primeiro deve-se observar a saúde de quem consome os alimentos. Por isso, a investigação da polícia e dos demais agentes públicos na operação chamada de Carne é Fraca deve ser apoiada. O que não poderia era ter transformado episódios isolados em espetáculo. Não tem cabimento uma operação nacional para fechar três frigoríficos. Somente com inspeção federal, o país tem 4.500 frigoríficos. O número de abatedouros estaduais e com fiscalização municipal é infinitamente maior. Aí a polícia flagra três irregularidades, que não chegam nem perto aos escândalos do leite no Rio Grande do Sul, e detona um setor que gera quatro milhões de empregos no Brasil.

Um delegado federal chegou a dizer que misturavam papelão na carne. Se não é uma idiotice, como disse bem o ministro Blairo da agricultura, é de uma tamanha incompetência. É possível que de quando em vez a gente consuma algum produto com problema, agora não existe um ingênio se quer no mundo que coloque carne e papelão numa panela sem perceber. Na conversa falavam da embalagem de papelão e o delegado fez uma interpretação equivocada. O uso de carne de cabeça em embutidos é permitido, diferente do que informou a polícia à imprensa. O ácido ascórbico é vitamina C.

O estrago está feito. União Europeia e China, os principais compradores de carne de frango, suína e bovina, acabam de anunciar o cancelamento das compras das nossas carnes. A JBS de Passo Fundo, por exemplo, que nada tem a ver com o fato, só exporta para a Europa. Se os europeus bloquearem as compras a empresa não sobrevive um mês. O que será dos dois mil trabalhadores? Apenas para citar um exemplo. Repito, no Brasil, são quatro milhões de trabalhadores na indústria frigorífica, metade da produção é exportação. Por aí dá para imaginar o tamanho do estrago! A polícia poderia ter feito seu trabalho, prendido quem deveria, de maneira pontual, sem alarde, inadmissível uma operação tida como nacional para apurar casos isolados em apenas três estados da federação.  

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