O poder mortal da informação

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 Por João Pedro Corazza, sócio proprietário e corretor da New Agro Commodities


                Nos últimos tempos, estamos sendo bombardeados por turbilhões de informações que afetam, diretamente, na tomada das mais importantes decisões que nos mantem aptos a enfrentar a carnificina em que se transformou nosso país. O poder da informação é tão cruel que pode destruir um caminho que demorou décadas para ser trilhado.

                A midiática operação “carne fraca” que arrefeçou um trabalho de anos da agroindústria brasileira soma-se aos incríveis videntes de mercado que tentam iludir o produtor com teorias absurdas prevendo situações inimagináveis que, deduz-se, apenas ser ao seu benefício próprio. E quem paga esse incalculável prejuízo?  

                Com a fama e o poder, diga-se de passagem, realmente merecido, do ilustríssimo juiz Sérgio Moro, doutores parecem se sentir incomodados querendo também, buscar as atenções da plateia (que somos nós, simples mortais) com divulgações inescrupulosas, irreais e inverídicas, como a observada atualmente e que dilacerou um trabalho de anos, feito por pessoas que ainda acreditam no país, “a maior operação da história” já montada por um órgão extremamente competente como a Polícia Federal, manchou e fez realmente apodrecer nossa carne. Problemas e corrupções pontuais, que são dignas de punições extremas, afetaram e estremeceram o Brasil devido à maneira de como foram expostas ao público. & nbsp;

                É óbvio que as consequências estão sendo catastróficas, não só para o segmento, mas para a economia do Brasil (que já está no fundo do poço). Para se ter uma ideia, as exportações de carnes renderam, só no ano passado, 13,8 bilhões de dólares. É um bom dinheiro para balança comercial, não acham? E quem pagará a conta com a suspenção, tomara que momentânea, da importação de carne brasileira? Não são apenas as cifras das vendas que deixarão de cair em nossos cofres. Com o desencadeamento dessa mirabolante operação, já observa-se: 1) o número de desempregados no Brasil começa a aumentar com a demissão de funcionários de frigor&i acute;ficos citados na operação; 2) diminuição de abates de frangos, gado, perus, suínos; 3) estagnação e, provavelmente, menor consumo de farelo de soja, óleo e milho (responsáveis direto na fabricação da ração); 4) congelamento do único setor que caminhava, ainda que a passos lentos.

                E o que falar dos profetas de plantão? Aqueles que falavam que a soja estaria 90 reais em janeiro de 2017 ou aquela senhora, que para se promover e ou vender, exclamou com todas as letras em áudio que vazou via Whats App para todo Brasil: - “Produtor, não venda soja, o preço vai subir!”. Ilusão? Cartomantes? Previsão do futuro? Ou será... interesse próprio? Perguntas essas que ninguém, nunca saberá responder. Porém, é outro caso que podemos fazer a mesma indagação da magnífica operação “carne fraca”: Quem pagará a conta? Tivemos a oportunidade de vender a 90, a 80, a 70 reais a saca de 60 kg de soja. Hoje o preço no interior do estado, dificilmente, alcança os 65 reais . Balcão já cai a níveis próximos a 60 reais. A liquidez diminuiu e, por incrível que pareça, ficou difícil vender soja. O dinheiro sumiu do mercado e as contas estão chegando. A diferença, que supera os 20 reais por saca, além de maximizar os lucros da cadeia produtiva, paralisa o giro monetário no comércio.

O poder da informação é valioso. A formação de opinião é mais ainda. O que é indigno de qualquer ser humano é a semeadura de notícias sensacionalistas, falsas, apenas visando sua promoção pessoal. A ética é o segredo das pessoas de bem. Teremos que melhorar nosso filtro. Precisamos buscar o máximo de notícias, no maior número de fontes possíveis para tomarmos a decisão no momento exato. Vamos catapultar pessoas que querem quebrar o país de vez. O problema foi criado, o momento passou e a maior consequência é que, infelizmente, custou alguns bilhões.  

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