A dimensão política do conhecimento

Postado por: Israel Kujawa

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 A política é tudo que envolve as relações das pessoas entre si, com as instituições, com a natureza e com as representações da realidade. Neste sentido, em sintonia com Aristóteles (384-322 a.C.), o ser humano é um animal político. Michel Foucault (1926-1984), apoiado em Friedrich Nietzsche (1844-1900), sugere a desconstrução da compreensão de conhecimento associado com uma descrição da realidade, tal como ela é.  Propõe um sentido de conhecimento vinculado com a construção de um sujeito histórico, localizado no tempo, no espaço e com práticas sociais. Dito em outras palavras, o conhecimento não é a descrição exata, de uma relação direta entre quem conhece e a realidade, mas uma representação que o sujeito, mediado por sua subjetividade, faz da realidade.

A vinculação do conhecimento com o domínio de um conjunto de técnicas, desenvolvidas por determinadas especialidades, que recebeu o nome de ciência, se distanciou e provocou uma ruptura com o comportamento humano. Em consequência disto, a academia está distante, não se manifesta sobre as situações concretas, que movem as pessoas, que, por exemplo, orientam as relações cotidianas entre adultos e crianças e que constituem os sujeitos humanos. A mudança desta cultura dicotômica, depende da superação de visão equivocada que associa conhecimento com cópia fidedigna de algum objeto existente na realidade concreta ou material. A realidade e o comportamento são complexos, não são totalmente captados ou incluídos em nenhuma ciência.

A ciência não é construção de um sujeito formal, teórico ou racional, mas resultado de uma construção coletiva, histórica e institucional, feita por um conjunto de profissionais que divulgam ideias para serem aceitas e reproduzidas como verdade. Uma “verdade” difundida, normatizada e consolidada, colonizou as subjetividades com a falsa informação de que as crianças são mais inteligentes ou sabem mais do que os adultos, é uma da variáveis a ser considerada em uma análise adequada do comportamento humano, no contexto do século XXI. Psicologicamente a criança é um ser vulnerável, que deve estar sob os cuidados e responsabilidades dos adultos, no entanto, a ideia equivocada de que ela sabe mais que os adultos, contribui para a legitimação, imposição e dominação social de sujeitos imaturos egoístas e irresponsáveis.

A cultura petrificada na subjetividade das pessoas, que vincula o conhecimento com o comportamento de sujeitos científicos neutros, isentos de interesses vaidosos ou influencias políticas deve ser ressignificada.   A vinculação de sabedoria com um comportamento distanciado e separado da vida concreta, cotidiana, instrumentaliza as pessoas, desumaniza e aliena.  Para que o conhecimento seja uma opção de humanização, as situações sociais que afetam a vida e dificultam o bom desenvolvimento devem ser o ponto de partida. Nisto está incluído o impacto social da adequada ou inadequada formação/ educação das crianças.

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