Da violência, dos contratos e dos costumes

Postado por: Neuro Zambam

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Muito se tem falado, escrito, refletido e opinado sobre o crescimento da violência no Brasil e na nossa região, desde a atuação da polícia até as atitudes corriqueiras que podem prevenir e educar contra as muitas práticas da violência, até os métodos de repressão e controle dos atos e dos autores de atos que não podem ser tolerados ou que prejudicam gravemente a convivência humana e social.

A violência desestabiliza as relações humanas e o equilíbrio social. Uma sociedade violenta não se alimenta apenas de atos de forte repercussão como ataques terroristas ou guerras entre facções ou países.

A percepção do quanto nos acostumamos com atos anormais para um homem e uma mulher normais revelam as razões porque uma realidade de conflitos e atos desumanos fazem parte de nosso cotidiano e a comunidades (inclusive eu e você), os toleramos ou os consideramos normais e pouco fazemos para a sua solução, a não ser comentarmos e aplaudirmos discursos também violentos.

O nazismo e os homens violentos que fizeram e fazem sucesso no Brasil e no mundo não surgiram do acaso. O livro “Quem contará nossa história”, pouco conhecido, mas de uma riqueza fenomenal, retrata a história da origem, organização e rotina dos guetos na Polônia antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

As pessoas, judeus e não judeus, com igual intensidade, organizaram, resistiram, lutaram e aceitaram aquela desumanidade, até a barbárie fazer parte da sua rotina e perderem as referências do certo e do errado, do valor da pessoa como amigo ou inimigo, do valor da formação e da lealdade, entre outras perspectivas de igual intensidade.

Sobre a violência, a rotina a qual atualmente estamos submetidos, temos a impressão que esta rotina se mantém viva e atuante. Fala-se de uma ética de grupos violentos – traficantes e terroristas, por exemplo. Pessoas com certo grau de formação intelectual ou com a pretensão de serem líderes de referência defendem a repressão e a tortura como algo rotineiro. Outros usam palavras de baixa estatura moral para se referirem a situações anormais, por exemplo: “os anjinhos do presídio” ou algo similar.

Posturas dessa natureza, prática, cotidianos de aceitação ou incentivo à violência, linguagem inadequada e outras divisões com igual teor contribuem para a não solução de graves problemas sociais como a violência.

A violência tem limites e estatísticas em qualquer sociedade equilibrada. A tolerância, por sua vez, também. O comportamento humano, quando violento, por palavras ou atitudes, segue a mesma lógica. A prevenção e o combate à violência é tarefa de todos, profissionais ou não. Acostumar-se a ela é uma grave patologia de consequências imprevisíveis.    

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