Thomas Machado, o garoto que uniu o Rio Grande

Postado por: Dilerman Zanchet

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*Dilerman Zanchet - Jornalista

Quando parece que tudo está perdido, que não temos mais esperança de melhorar, de ver crescer, de progredir, quando o desânimo toma conta do brasileiro e, principalmente, do gaúcho, surge no horizonte nebuloso aquilo que popularmente chamamos de “a luz no fim do túnel”.

O Rio Grande do Sul, especificamente, nunca esteve tão sem moral. Chegamos ao fundo do poço: Sem segurança, sem perspectivas de geração de emprego, com políticos envolvidos em escândalos, com promessas de melhorias e com pagamento de salários parcelados pela crise existente.

Porém, quando tudo parece não ter volta, eis que de um programa televisivo, daqueles que as grandes emissoras colocam em nossas casas anualmente, surge uma voz. Surge um rosto. Embaixo de um chapéu de aba larga, surge um garoto, nove anos, que muda tudo. Thomas Machado, desde a sua primeira aparição no The Voice Kids, fez aquilo que políticos, clubes de futebol, artistas e outras sumidades não conseguiram: Unir o Rio Grande em torno de uma causa. E fez bonito.

Um garoto que saiu de uma cidade de interior, cujos pais trabalhavam arduamente para oferecer aos dois filhos um pouco do melhor que podiam, brilhou para o país inteiro, em menos de três meses.

Um garoto que, como os de sua idade, tinha uma rotina de escola, jogos de futebol, brincadeiras com o irmão, e a gaita que ganhou de seu pai, depois de afirmar que queria tocar as músicas do Rio Grande. Espelhando-se em um ícone do tradicionalismo, Gildinho, líder de Os Monarcas, Thomas seguiu em frente.

Inscreveram-no na seleção do The Voice. Na primeira seletiva passou folgado. Tinha mais duas pela frente. E aprovou. E foi-se para o Rio de Janeiro. Levava na bagagem, além da determinação e da simplicidade, da inocência de um “serzinho” adorável, as pilchas de gaúcho. Foi o diferencial.

Fez a diferença desde a primeira aparição em público. Tinha já a experiência de ter gravado programas de TV, de ter subido aos palcos com seu padrinho musical, apresentações e shows com seu irmão Eduardo. Mas não sabia, nem tinha noção do que era apresentar-se em um concurso com uma audiência ímpar. E foi paparicado. E fez sucesso. Caiu nas graças de Ivete Sangalo. Precisava melhor madrinha no programa?

Thomas fez sucesso absoluto. Não havia em lugar nenhum deste país, uma mulher (com seus jeitos peculiares) que não dissesse: “que vontade de morder”.

Aqui na 7ª Região Tradicionalista, os votos não foram diferentes. Estava aí um dos representantes dos gaúchos que sofrem para cultuar suas tradições e o fazem com afinco. Com orgulho. Dos rostos sofridos surgiam sorrisos largos de alegria e otimismo.

Onde havia, nestes dias, alguém pilchado, se tornava quase que obrigatório o assunto do “Gauchinho do The Voice”. E a gauchada foi em peso. Hashtag foram criadas para dimensionar a importância de sua vitória.

Aí entrou o bairrismo. Mesmo disputando espaço com mais representantes do Rio Grande do Sul, o pequeno ganhou o Estado com sua indumentária. Surgiram alguns tentando minimizar o feito, criticando o fato de não cantar músicas gaúchas no programa. Questão de escolha da produção. No meu ponto de vista, estratégicas. E lá estava o garoto. Chapéu ou boina, lenço no pescoço, rastra e alpargatas ou guaiaca e botas. Era o Rio Grande representado por um mini gaúcho.

Mini que fez muito mais que muitos que se vangloriam de sê-lo, mas que só usam bombacha na Semana Farroupilha para ir ao churrasco do CTG.

Conseguiu unir maragatos e chimangos, gremistas e colorados, petistas e peemedebistas. Enfim, conseguiu fazer o que muitos tentaram sem sucesso. Todos pelo Thomas.

E seria muito injusto de minha parte não dizer que Thomas Machado teve, além do apoio de músicos, cantores, intérpretes do nosso regionalismo, a mão abençoada de Giovani Grizotti, o Repórter Farroupilha do Portal G1. Este que, como profissão é um dos melhores repórteres investigativos do país, é também gaúcho. E sente muito orgulho de sê-lo.

A parceria estava formada. E foi assim: Grizotti amealhando apoio ao guri. E o guri arrebentando com sua simpatia e carisma. E interpretação. Com ou sem sua gaitinha, Thomas foi um sucesso.

Imagino a emoção de seus pais e seu irmão. Imagino a “alma lavada” do Grizotti e do Glaucius Oliveira (repórter cinematográfico), que viajaram pelos quatro cantos do Rio Grande gravando apoio, pedindo votos.

Imagino, também, o que deve passar no coração desta criança. “Será que vou poder brincar com os amigos de novo?” Será que vou poder jogar bola hoje?” “Bah, eu não queria ir para este show. Tô cansado.” Vai ser mais ou menos isso. Mas ele merece tudo de bom que possa lhe acontecer.

E a nós gaúchos, resta a certeza de que, quando quisermos, nós conseguimos.

Basta ter vontade, simplicidade, humildade e orgulho deste chão.

Somos gaúchos. E isso basta. 

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