Trânsito – Princípios de direção defensiva

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Num eventual acidente não basta apenas a análise de quem foi o culpado direto pelo fato, uma vez que a prova poderá demonstrar, por exemplo, não somente a culpa de quem cortou a frente do outro, mas também poderá revelar qual foi a participação daquele que trafegava pela preferencial.

Isso mesmo, tendo em vista um princípio básico que a preferencial não é absoluta, por evidência uma considerável carga de responsabilidade se remete a este condutor que está circulando na via principal, especialmente quando se aproxima de um cruzamento (arts. 43 e 44, do CTB).

Portanto, em cada sinistro deverá ser colhida a prova quanto à participação de culpa daquele que trafegava pela principal artéria, isto é, bem dimensionar a velocidade a partir das marcas de frenagens ou arrastamento, ponto de impacto, local de parada final dos veículos, danos provocados, etc.

Destaca-se, desde já, que esses aspectos são relevantes quando levados à apreciação da Justiça, ou seja, ao analisar uma prova no processo judicial, um magistrado não leva em consideração apenas a letra fria da lei. Com certeza vai “ver e sentir” a realidade da dinâmica do acidente e, ao caso concreto, vai fazer a devida justiça, distribuindo a culpa na medida da participação de cada parte no sinistro.

Ora, se isso é crucial para responsabilidade, por evidência é imprescindível um alto de grau de consciência quanto à correta utilização de nossas vias públicas, sob pena de ver caracterizada a culpa mesmo dirigindo num local que lhe assegura o prosseguimento de trajetória. .

Assim, os motoristas devem ter em mente a importância dos princípios de direção defensiva ao conduzir um veículo, entre eles a imperiosa necessidade de antecipar as ações durante o instante da utilização da via. Planejar as manobras é crucial para o bem estar de todos que circulam no mesmo espaço. Com isso, deverão ser usados – com ênfase - os sentidos que a natureza proporcionou ao homem, principalmente o pensar. Afinal, o bom motorista tem inúmeras possibilidades de evitar um acidente, basta se posicionar – mentalmente – na posição do outro condutor e, acima de tudo, indagar para si mesmo se aquele motorista proveniente da via secundária realmente observou a aproximação do usuário da preferencial.

A partir deste instante se deve traçar uma imaginação e um questionamento acerca do que ele faria ou atitude que adotará, bem como, o que posso fazer ou deixar de fazer para evitar um acidente ou amenizar as consequências em face do erro de terceiro.

Frisa-se, que não basta o agir como ato reflexo ou condicionado. É fundamental a ação a partir da consciência e, como tal, deve-se educar a mente para um procedimento pautado na reflexão, indagação e resposta consciente naquele momento.

Portanto, com esta primeira concepção – entre outras - de direção com as cautelas de praxe, os motoristas começam a modificar comportamento humano no sistema viário que, aliado ao fato de ter consciência da presença de outro semelhante que poderá cometer algum erro, deve-se adotar cautela ao conduzir uma arma em potencial. E, com isso, naturalmente estará contribuindo para diminuição dos índices de sinistralidade.

 

 

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