Uma geração frustrada e traída pela democracia

Postado por: Clovis Oliboni Alves

Compartilhe

A geração que viveu durante o período do regime militar (1964 a 1985), os chamados “Anos de Chumbo”, enfrentou um sistema de governo totalitário e ditatorial, onde a liberdade de expressão pessoal e coletiva era vigiada e reprimida severamente pelo governo. Este cerceamento antidemocrático fez nascer nos brasileiros, o desejo de mudança, de luta pela liberdade, e pelo direito ao voto direto. O sonho de um Brasil mais justo, igualitário, inclusivo, sem miséria e com uma melhor distribuição de renda, parecia estar mais perto do que nunca. Tínhamos a expectativa, de que o regime democrático, seria o melhor caminho. Os políticos eleitos democraticamente pelo voto popular, ao assumirem o poder, deveriam lutar pelo interesse público, com ações prioritárias aos mais oprimidos e necessitados, porém, isto não aconteceu. A nossa geração, é uma geração frustrada e traída pelo sistema político nacional.

Os anos de ditadura fizeram nascer no povo brasileiro, o desejo de vivermos em um sistema democrático de direitos, onde a liberdade de expressão individual e coletiva, fosse respeitada; onde o desejo de cada brasileiro, fosse expresso através do voto. O que esta geração não contava, era com a mudança de rumo que as coisas iriam tomar. Os artifícios “ardilosos” adotados pela maioria dos políticos brasileiros, permearam de maneira contagiosa o nosso sistema político, que hoje, apresenta-se sem as mínimas condições de governabilidade e de representatividade da população brasileira. As revelações feitas pela Polícia Federal, expondo grandes esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, envolvendo agentes políticos, expôs os bastidores obscuros e fétidos do sistema político brasileiro. Os nossos representantes políticos frustraram toda uma geração, mancharam a história política de nosso País e feriram o orgulho do povo brasileiro. A nossa Carta Magna, a Constituição Federal de 1.988 foi rasgada. Ela que nasceu de uma Constituinte, discutida de forma ampla e democrática com a sociedade brasileira, deveria ter sido observada e respeitada por todos, principalmente pelos representantes políticos.

Os personagens políticos deste momento histórico de nossa Nação fazem uma movimentação contrária aos interesses públicos, votando mudanças extremamente lesivas aos direitos dos trabalhadores, retirando conquistas históricas da classe operária. Os parlamentares tentam  aprovar reformas, como a política, com propostas protecionistas, como por exemplo, o voto em lista (se aprovado, os eleitores não irão mais votar em candidatos, mas sim em partidos, com listas fechadas). A tentativa de se perpetuarem no poder é evidente, e, através do voto em lista, políticos denunciados em esquemas de corrupção, tentam se “camuflar” em listas partidárias, onde os seus nomes irão ocupar certamente o topo das listas. Outra reforma que está sendo discutida em ritmo acelerado, com muita pressa por parte do Governo Federal, é a reforma da previdência. Segundo a União, o sistema previdenciário, não tem a menor condição de sustentabilidade, embora haja controvérsias. O governo tenta ampliar a idade mínima para aposentadoria, cometendo um verdadeiro crime aos milhões de brasileiros, que jamais irão conseguir se aposentar, tendo em vista fatores como: a penosidade e periculosidade de suas atividades, que fazem com que a idade média destes trabalhadores, não ultrapasse a idade mínima necessária para aposentarem-se.

A maior preocupação e frustração de nossa geração está na falta de perspectiva de mudança, de melhora. Os eleitores brasileiros demonstram-se apáticos, despreparados e desmotivados a fazerem as mudanças necessárias através do voto democrático. A esperança está acuada pelo medo, pela desconfiança e falta de credibilidade nos agentes políticos, que deixaram toda uma geração frustrada politicamente. Hoje, o sentimento é de que fomos “traídos” por aqueles em quem acreditamos fielmente. As bandeiras de luta dos partidos foram queimadas. Os estatutos programáticos, com suas reais ideologias partidárias foram ignorados, e o povo, já não Sabe mais em quem acreditar.

“O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está apodrecendo o cadáver. Reinventemos, pois, a democracia antes que seja demasiado tarde”. Saramago, José

Leia Também Transtorno de Personalidade Histriônica Os cuidados indispensáveis com os sujeitos Liberdade de expressão e de crítica Derrota não tira Passo Fundo Futsal/Fasurgs/Zamil do G4