Mais uma sem graça

Postado por: Neuro Zambam

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O STF homologou mais uma delação premiada, agora do marqueteiro João Santana e Mônica Moura. Este é o retrato de que o país continua funcionando e as instituições agindo de alguma forma processos e medidas iniciadas num passado recente que semearam um certo grau de esperança junto ao povo brasileiro.

Isso precisa ser admitido, a população acreditou, torceu e esperou dias melhores em todos os campos, neste caso, especialmente, na administração dos recursos públicos. Da mesma forma sobre as lideranças de sua confiança.

O que se vê é novamente o desânimo tomar conta da população. Não poucas vezes comenta-se que a situação e as armadilhas estão cada vez piores e o poder dominado por facções e interesses com artimanhas de quadrilhas.

Especialmente, o instituto da Delação Premiada que foi um importante instrumento surgido na Itália, se não me faltam informações mais precisas, para que as autoridades investigativas tivessem acesso aos meandros da corrupção e, então, aprofundas as investigações, debelar seus mandantes e punir os responsáveis, tornou-se algo tão banal e comum que a sua autorização sequer impacta. O caso citado é um deles, está sem repercussão.

Hannah Arent quando falou sobre as atrocidades do nazismo clamou e foi ouvida sobre a ‘banalidade do mal’. As pessoas foram de tal forma massacradas e humilhadas à luz do apoio da população, dos agentes de segurança  e dos governantes que o seu sofrimento e as atrocidades já não tinham qualquer significado.

A “banalidade da corrupção” no Brasil está na mesma direção: ‘corre solta’ como diz o ditado popular, todos sabem, não têm forças para combater, não há líderes ou exemplos de estatura para poder confiar e, então, é melhor deixar a vida seguir.

Os poucos líderes que merecem crédito estão distantes e tomados pela decepção e aprisionados pela normalidade da banalidade.

Quando os recursos mais importantes da sociedade perdem o seu valor e o seu encanto, o conjunto da sociedade vai mal. No caso brasileiro, vais muito mal.

A distância entre o normal e o anormal é tanta que já não se sabe os limites da banalidade e da verdade.

O fato é que temos poucas motivações para seguir alimentando ideias ou sonhos de largo alcance. Entretanto, é fundamental que recuperemos a esperança e a capacidade de construir projetos e propostas interessantes para o conjunto da sociedade.

O sentido da vida, da política e da vida social não está na banalidade, mas na capacidade de revoltar-se contra ela.

             

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