Mérito é para quem merece

Postado por: Marcel Van Hattem

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Nos últimos dias a população gaúcha foi pega de surpresa com a falta de bom senso da deputada comunista Manuela D’Ávila (PCdoB). Alheia à realidade, a deputada tentou tornar Jean Wyllys (PSOL) hóspede oficial da Assembleia Gaúcha para entregar ao ex-Big Brother a maior honraria concedida pelo Parlamento: a Medalha do Mérito Farroupilha. Pronunciei-me contrariamente lembrando que, independentemente de discordar frontalmente da homenagem, eu não poderia aceitar que um deputado federal, com direito a utilizar verbas do seu gabinete para vir ao Estado a serviço do seu mandato quando quiser, tivesse passagem aérea e hospedagem pagas pelos raspados cofres públicos do Rio Grandes do Sul.

Em um raro momento de bom senso, a deputada comunista decidiu ouvir aos argumentos de quem faz política baseada nos fatos reais e retirou o requerimento apresentado à Comissão de Cidadania e Direitos Humanos. No entanto, a lucidez durou pouco, e Manuela não perdeu a oportunidade de fazer mais um discurso vitimista, sua especialidade. Disse que a minha discordância e de alguns outros colegas ao custeio da vinda de seu escolhido se tratava exclusivamente de preconceito por conta da orientação sexual de Jean Wyllys, homossexual declarado. Nada mais distante da realidade!

Manuela e seus apoiadores simplesmente ignoraram que Jean Wyllys não possui qualquer serviço prestado ao Rio Grande do Sul e sua gente, que é o principal argumento para a concessão da medalha. Chegou até a Câmara Federal por ter participado de um Reality Show, e, já na Câmara dos Deputados, atua de maneira pouco relevante ao País, que dirá ao povo gaúcho. O ex-Big Brother preencheu as páginas do noticiário apenas por ter prometido deixar o Brasil caso fosse confirmado o impeachment de Dilma Rousseff – promessa não cumprida –  e, em um ato de desequilíbrio emocional vergonhoso, ter protagonizado uma cena totalmente injustificável: desferiu uma cusparada em um colega deputado durante a sessão plenária que resultou no afastamento da então presidente petista.

Esses são os fatos que marcam a trajetória do político Jean Wyllys, mais um devoto da histérica narrativa de que houve um golpe para afastar Dilma, mais um político alheio ao caos que o PT e seus apoiadores, como a comunista Manuela D’Ávila, insistem em fingir que não existia até que a protegida presidente deixasse o Planalto. Agora, eles apontam para os atuais governantes como se fossem os únicos responsáveis por toda a crise financeira, de segurança, enfim, toda a herança petista após 13 anos de governo.

Infelizmente, o regimento atual da Assembleia Legislativa permite que cada um dos 55 deputados indiquem a quem concederão a sua Medalha do Mérito Farroupilha, sem que a proposição passe por votação e aprovação em plenário. Diante de tantas manifestações de insatisfação com a outorga da medalha a Jean Wyllys, meu colega Sérgio Turra (PP) e eu protocolamos na Mesa da Assembleia um requerimento sugerindo a alteração do procedimento. Em vez de serem apenas referendadas pela Mesa diretora, queremos que as futuras indicações sejam avaliadas por todos os deputados e aprovadas no mínimo pela maioria.

Temos convicção de que se essa sistemática for adotada, indicações como a de Jean Wyllys sequer serão feitas. O que pedimos é mais respeito pela história e tradições Farroupilhas, que exigem que os agraciados realmente tenham relevantes serviços prestados ao Estado do Rio Grande do Sul.

 

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