A exposição visceral e fétida da política nacional

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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 Nesta semana, o Brasil parou para ouvir a notícia da nova lista de denunciados, revelada pelo relator dos processos da Operação Lava a Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edison Fachin, que determinou a abertura de inquéritos para 108 denunciados em esquemas de corrupção, todos apontados nas delações dos executivos da Odebrecht. A revelação da lista e a quebra do sigilo das delações expõem com detalhes, o funcionamento dos esquemas de propinas, as trocas de favores, jogos de influência, caixa dois das campanhas e benefícios pessoais milionários, realizados em transações ilícitas, entre empresários e políticos brasileiros.

A lista de Fachin como está sendo chamada, caiu como uma bomba na classe política nacional. Se havia alguma dúvida sobre o envolvimento de algumas lideranças políticas, nos esquemas de corrupção, a revelação da lista de denunciados, deixou claro e evidente a existência de ações ilícitas. O surgimento dos nomes dos envolvidos se deu após o acordo de delação premiada, feito com os empresários da Construtora Odebrecht (alguns presos desde junho de 2016), com o juiz Sérgio Moro. O que mais impressionou a sociedade brasileira foram os altíssimos valores desviados e o grande número de envolvidos, lideranças que até então, apresentavam condutas ilibadas, acima de qualquer suspeita. A quebra de sigilo das oitivas dos delatores expôs as vísceras dos esquemas de corrupção com detalhes, revelando a contaminação endêmica do sistema político brasileiro, que institucionalizou a propina, a corrupção, o superfaturamento nas obras públicas, a lavagem de dinheiro, o desvio de verbas e o caixa dois nos partidos. Os pedidos de abertura de inquéritos, agora seguirão aos seus respectivos foros, onde todos os delatados terão a oportunidade de exercerem as suas respectivas defesas.

O resultado que a sociedade brasileira espera de mais este escândalo de corrupção envolvendo a classe política do Brasil, é o da justiça, da moralização do Poder Público, do respeito ao erário e às obras públicas, estas tão necessárias e vitais aos milhões de brasileiros, que carecem da assistência do Estado. Os delatados que forem comprovadamente culpados, precisam ser punidos severamente pela justiça, pois cometeram um crime contra a Nação brasileira, contra milhões de inocentes, que anonimamente, perderam a vida por ausência de serviços básicos de saúde, segurança e alimentação (principalmente). Os crimes de corrupção no setor público são crimes covardes, praticados por pessoas gananciosas, avarentas e desumanas. As punições aos réus condenados deverão colocar muitos deles na cadeia, retirar seus direitos políticos, além da obrigação de restituírem aos cofres públicos, o dinheiro roubado. Uma possibilidade que não está sendo discutida é a punição à pessoa jurídica dos partidos, nos casos onde haja envolvimento em ações ilícitas de caixa dois.

Depois de mais este “banho de água fria” no eleitorado brasileiro, que perde a cada dia mais um pouco da credibilidade na política, a esperança é que surja uma nova geração de políticos e empresários, com uma nova postura ética e moral, assim como está ocorrendo no sistema jurídico, que hoje, quebra paradigmas de que rico não vai para a cadeia; que os “poderosos” faziam e aconteciam no Brasil e ficavam impunes; que a lei só existia e era cumprida pelo pobre. O Poder Judiciário brasileiro está dando um belo exemplo para os demais poderes constituídos do Brasil e para o Mundo, mantendo a moral e auto-estima dos brasileiros elevada.

“Não tem interesse em combater a corrupção àquele que corrompe a legitimidade de direito... pelo contrário, associa-se a ela”. Julio Ramos da Cruz Neto

 

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