A luz e as sombras

Postado por: Israel Kujawa

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O excesso de informações é um fenômeno a ser analisado e assimilado, pois implica na desorientação espacial, temporal, moral e intelectual das pessoas. No atual estágio do modelo de organização econômica e social, capitalista, o reconhecimento de uma pessoa exige capacidade de consumir ou de apresentar produtos para serem comercializados. Um dos produtos intensamente comercializados e consumidos é a informação. Os grandes órgãos de imprensa são os responsáveis por definir os assuntos que serão divulgados, reproduzidos e comentados diariamente pelo conjunto da população.  

Ao optar pela divulgação de um tema e excluir outro, as empresas privadas de comunicação seguem diretrizes que devem ser explicitas e analisadas.  Ao fazer esta análise seguirmos um dos ensinamentos possíveis, que Platão apresentou na Alegoria da Caverna e saberemos que a divulgação e comercialização é uma representação e não o que realente ocorre. Tendo a clara distinção entre representação e a realidade, para não reproduzir uma interpretação ou encenação pensado que a mesma seja um fato concreto.  

Ao analisar as influências da linguagem e da representação no comportamento humano, Chomsky explicita as principais estratégias e as intenções dos grandes órgãos de imprensa, para influenciar e controlar o comportamento das pessoas. Para ter uma ideia do que isso significa, é importante pensar sobre os temas postos como sendo as causas principais da atual crise institucional brasileira. Ao mesmo tempo em que estamos distraídos com as informações, demostrando que os políticos (todos?) são corruptos, nossa atenção negligencia, por exemplo, a importância e os limites da reforma das legislação trabalhista e previdenciária.

Considerado o problema do estado em pagar adequadamente o funcionalismo, se justifica a alternativa de vender, entregar o patrimônio público para o mercado. Além disto, o trabalho e o estudo, necessários para o desenvolvimento individual e coletivo são substituídos por heróis, sejam eles Lula, Joaquim Barbosa, José Dirceu, Sérgio Moro ou o Ministério Público. São heróis criados e destruídos como produtos de consumo. Por fim, os especialista apresentam e exercitam a construção de novos heróis, que aparecem como salvação para mudar o futuro.  No entanto, visto que todos podemos distinguir realidade e representação, luz e sombra, cabe a opção pela utilização do próprio cérebro, para orientar, entre as opções de temas e problemas apresentadas, o modo mais adequado de interpretar, viver e conviver.

 

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