As palavras e as coisas

Postado por: Israel Kujawa

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Uma das principais obras do século XX, para entender o comportamento humano e o conhecimento recebeu o título de: As palavras e as coisas.   Escrita por Michel Foucault em 1966 para mostrar, entre outros aspectos, que o discurso é fundante, pois produz as verdades dos momentos históricos.  Mais especificamente, a linguagem ou os discursos devem ser analisados para descrever a história da construção dos sujeitos, visto que são as palavras ou a linguagem que produzem os sentidos.

A busca pelos sentidos, constituídos por meio dos discursos é visualizado nas práticas dos grupos e das instituições.  A análise da linguagem mostra o aparecimento do homem na história como uma invenção ou como uma construção de um saber, em contraposição ao saber e ao homem absolutos. Este modo de explicar o comportamento humano e o sentido, confronta o entendimento dos psicólogos, sociólogos e filósofos, que construíram e constroem suas ciências acreditando que é o “homem” formal ou absoluto que pensa e constrói sentidos. Os conceitos fechados, aceitos sem brechas para problematização, na psicologia, na sociologia e na filosofia, são postos em discussão por Foucault. 

A “natureza humana” da psicologia, a “sociedade” da sociologia ou o “ser humano” da filosofia deixam de ser dimensões pré-estabelecidas e a passam a ser tematizadas como resultados do trabalho, da vida e da linguagem.  Neste histórico, a sociedade deixa de ser aceita como ponto de partida e passa a ser entendida como construção ou resultado de batalhas, alimentadas por sentimentos contraditórios, que sustentam um alto grau de tensão entre o indivíduo e a sociedade, entre instinto e a civilização. Incluir estas contradições nas diversas áreas de atuação humanas, implica em flexibilizar as diretrizes formais, lineares e rígidas, valorizando as variáveis suscetíveis à influência do contexto,

Na área da educação, por exemplo, se impõem uma aproximação e interação entre quem educa e quem é educado. Na área do direito, se faz necessário a ampliação do espaço para concepções que defendem a necessidade de restabelecer a justiça, com base nos modos de vida específicos, com instrumentos adequados ao contexto existencial. Na área da psicologia, evidenciam-se constituições de Programas que demonstram que fazer ciência do eu separado do prático, da história, do contexto social não é o melhor modo de orientar o desenvolvimento do ser humano feliz.  Portanto, as palavras e as coisas demonstram que o ser humano não é algo pré-existente, mas construído no interior da linguagem, da vida e do trabalho.

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