Ser mudo ou surdo? Qual sua opção?

Postado por: Neuro Zambam

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As inúmeras manifestações que ocorreram no Brasil nos últimos tempos e as que estão em curso demonstram o grau de insatisfação e, simultaneamente, a fraqueza do Brasil e dos seus líderes mais expressivos.

Aliás há um bom tempo que as pessoas percebem a ausência de líderes com capacidade de mobilização, articulação, experimentados no diálogo e capazes de construir pontes ou propostas e levá-las termo - ganhando ou perdendo.

Nas primeiras expressões públicas, ainda durante a Copa, o governo de então dizia que estava disposto para ouvir a voz das ruas. Pois, as vozes se somaram e pararam o Brasil. A surpresa não foi esta, mas a ausência de manifestações e líderes na época e hoje.

Quem de fato é ouvido e comentado rotineiramente pelas suas manifestações e pode ser chamado de líder?

Associado a isso, percebe-se a desaceleração total das manifestações e dos manifestantes que foram às ruas exigir mudanças.

Mais assustador é, sem sombra de dúvida, que não há grupos, associações e movimentos com a necessária capilaridade de enfrentar os debates públicos e traduzir as problemáticas que assolam o país para a linguagem que as pessoas entendem e, então, chamá-las sabendo que respondem.

Há interesse em falar, organizar e debater temas importante no presente e para o futuro?

Quem consegue falar com certa clareza sobre a Reforma da Previdência?

 Quem pode falar de proteção ao trabalho, à produção e ao trabalhador com boa visão do atual momento internacional e brasileiro?

Com muita preocupação ouvi a poucos dias uma importante liderança da cidade, esclarecida e com formação exemplar, dizer que não conseguia se entender em meio às tabelas da Previdência Social divulgada pelo governo e, então, preferia não falar.

De outra parte, a incapacidade de falar e ouvir de muitas pessoas com formação superior e outros atributos que poderiam despertar um líder comunitário, político, religioso ou profissional espanta, porque estamos formando uma categoria de analfabetos e bem formados, entretanto, que leem, escrevem, falam e não ouvem e sequer sabem ser ouvidos.

A construção de uma nação forte, especialmente em momentos de constrangimento, tensão e dificuldades como este que estamos vivendo, como bem destaca a CNBB em matéria divulgada no portal rdplanalto.com, exige participação crítica e serena.

Ao lembrarmos de quem foram nossos espelhos, procuremos ser referência para os do presente.

Começando pela escuta estaremos bem situados.

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