O causo do fusca que quase foi roubado

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Esse causo se deu aqui mesmo em nossa cidade, Passo Fundo, nos meados da década de 80 do século passado, com um vizinho de um amigo. Esse amigo que contou o ocorrido jura que foi verdade.

No forte do inverno, num entardecer claro que prenunciava uma noite gelada, encostou um fusquinha branco na frente da casa do vizinho do meu amigo. Muito novo e reluzente, o carrinho chamava a atenção pela beleza e pelos acessórios. 

Desceu do fusquinha um tipo peculiar, um homem loiro, de grande estatura e de semblante fechado. Carrancudo mesmo.

Desceu e bateu palmas (naquele tempo campainha era para poucos). Logo saíram os da casa e abriram o portão para o visitante, que entrou e acabou se demorando um bom tempo.

Durante esse tempo, um amigo do alheio que passava se engraçou no fusquinha. Forçou a fechadura da porta e conseguiu abrir o carro. Já dentro do fusca a ligação direta deu vida ao motor e o esperto se mandou rua abaixo, rumando decidido para o interior da vila.

O dono do fusca deve ter ouvido o ronco quando arrancou rua a fora, pois quase que imediatamente saiu da casa e constatou o sumiço do fusca.

Foi uma correria. O vizinho do meu amigo não tinha carro nem telefone (os dois eram artigos de luxo na época) e se socorreram no pai do meu amigo, que tinha um fusca, ao menos.

Acontece que o pai do meu amigo era brigadiano e fazia ideia de onde poderia ter sido escondido o fusca. Largaram então em perseguição (com o fusca do pai do meu amigo) e nós todos ficamos na expectativa do desenrolar do caso.

Algumas horas mais tarde chegaram os dois, cada um no seu fusca, pois haviam topado com o meliante na rua e fizeram-no parar na marra para devolver o carro. Encontrado o fusca furtado, passaram então ao "interrogatório" da criatura que o conduzia, ali mesmo no meio da rua.

O dono do fusca havia ficado bastante transtornado e em certa altura da "conversa" as perguntas já estavam sendo feitas no intervalo das batidas de porta na cabeça do esperto. Diz que bateram tanto no ladrão que entortaram a porta do fusca. 6

Terminado o "interrogatório", deram jeito de transportar o meliante até o Regimento da Brigada Militar, a fim de que fosse enquadrado. Munidos de uma corda, amarraram com muito cuidado as mãos e pés do indivíduo e o acomodaram no maleiro em cima fusca, confortavelmente instalado.

E assim, durante muito tempo nada foi roubado daquela região, temendo os interrogatórios na base da portada na cabeça e um passeio no maleiro do fusca. 

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