A fome e a abundância (II)

Postado por: Neuro Zambam

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Inicia nesta quarta feira, 10 de maio, às 19h, o I Seminário sobre a Teoria da Justiça de Amartya Sen, cujo tema central é o Direito à Alimentação. Conforme destaquei na semana passada, com a presença de ilustres pesquisadores da América Latina e do Brasil. Alguns já estão em Passo Fundo com permanência até o final de semana.

A pesquisa nessa área é inesgotável e suscita inúmeras reações, desde o encantamento com a capacidade humana de fomentar inovações tecnológicas e produtos capazes de aumentar os níveis de produção à patamares inimagináveis ha poucas décadas, até a revolta ante a discrepância em relação ao aumento da fome no mundo e a incapacidade de solucionar o grave drama das desigualdades no Brasil e na nossa região.

A participação das entidades da sociedade civil organizada e do poder público de Passo Fundo representa uma bela oportunidade para o diálogo da pesquisa e produção de conhecimento com as pessoas e associações que representam as preocupações do setor produtivo e dos mais necessitados.

Um professor com espetacular sensibilidade disse-me há alguns dias: “é importante que ocorram olhares diferentes sobre o mesmo objeto”. Essa percepção revela a maturidade acadêmica e a visão de que a verdade não possui ‘dono ou lado’, mas ela é construída com o esforço e a dedicação de muitos atores e instituições que, quando bem canalizada e organizada em vista de objetivos convergentes, têm mais facilidade de construir o bem comum como objetivo genuíno das políticas sociais, mas especialmente das instituições que congregam valores e metas de associativismo.

Os participantes poderão acompanhar a visão de empresas como a BSBIOS, junto à exposição das preocupações dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais de Pontão e de Passo Fundo e do Sindicato Rural. Todos com suas contribuições para o crescimento econômico e o desenvolvimento. De outra perspectiva poderão conhecer a trajetória e a contribuição do Sindicato da Alimentação. Haverá condições para o diálogo? Certamente, porque as metas são nobres e as ameaças no mundo podem destruir a todos.

A participação de três projetos amplamente conhecidos tem como meta a apresentação de obras capazes de transformar pessoas, culturas, instituições e a realidade sofrida, especialmente demonstrar que o combate à fome é possível com políticas públicas e sociais relevantes e bem conduzidas, livres das mazelas da corrupção e do descompromisso com a democracia. Demonstrarão também que as soluções não podem partir apenas do Estado, mas fundamentalmente da sociedade organizada que pode operar milagres na atualidade sem intervenção divina.

O Projeto Transformação em Arte, O banco de Alimentos do Rio Grande do Sul e programas públicos como o Apoiar e Comprometer demonstram que um novo mundo é possível por meio da diminuição da fome e do sofrimento dos mais pobres com o engajamento dos demais.

Na próxima semana falaremos sobre o resultado desse evento e sua dinâmica. Espero que todos aprendam algo valioso e juntos possamos ser cidadãos mais felizes, emancipados e realizados.

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