Nascido para as pistas. Sucesso nas ruas - Parte 1

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Na década de 60 do século passado, o mundo das corridas automobilísticas estava em efervecência no Brasil. Tanto em corridas de rua com carros de passeio modificados quanto em provas em autódromos com carros especiais, a velocidade nas pistas estava em foco.

Percebendo nas pistas de corridas um grande palco para mostrar seus novos carros e assim alavancar vendas, a maioria dos fabricantes de automóveis tratou de montar sua divisão de competições.

Uma delas, a Vemag, que fabricava os famosos DKW (Belcar, Pracinha, Vemaguete, Candango e Fissore) decidiu apostar em um novo carro, um esportivo para brigar nas pistas e que também pudesse ganhar as ruas. Assim, o diretor da divisão de competições da Vemag, Jorge Lettry, chamou um fazendeiro que gostava de fabricar carrocerias esportivas para montar em mecânicas existentes no mercado, o famoso “Rino” Malzoni.

Em 1964 Malzoni criou um protótipo com carroceria em metal e equipado com o famoso motor 1.0 de 3 cilindros e 2 tempos da Vemag, mantendo a tração dianteira. Este carro foi batizado de GT Malzoni e foi o primeiro da linhagem que veio a dar origem ao esportivo nacional de maior sucesso até hoje, o PUMA. Concorria nas pistas com Willys Interlagos, FNM JK e Simca. No ano de sua estréia foi vitorioso em nada mais nada menos que 5 corridas.

Consagrado como um sucesso nas pistas, o GT Malzoni também era muito bonito, com linhas arrojadas e agressivas e um conjunto mecânico muito acertado e confiável. Isso impulsionou os planos da marca para a produção em série. Foi então criada uma nova empresa, a Lumimari, que optou por uma nova carroceria, de plástico reforçado com fibra de vidro, claramente inspirada na Ferrari 250 GTO. Após 3 anos de trabalho nascia então o primeiro Puma, ainda com a mecância DKW.

No mesmo anod de 1967 a DKW foi comprada pela VW, que encerrou a produção da marca. Dizem que a opção da VW em “matar” a DKW teve relação direta com o sucesso do Fusca no Brasil, pois os carrinhos fumacentos eram uma incômoda sombra para o besouro. Mas isso é assunto para outra hora.

Sem poder contar com a motorização DKW, Malzoni começou a negociar com a VW para utilizar um conjunto tradicional da empresa (que equipava o Karmann Ghia 1500).  Em 1968 foi apresentado o GT 1500. Com um desenho moderno e que lembrava muito o Lamborghini Miura, mesmo custando mais que 2 Fuscas o Puma vendeu muito bem, mais de 400 unidades em 2 anos.

Quando a plataforma VW 1500 do KG deixou de ser fabricada, o Puma passou a utilizar o conjunto do Brasília, com motor de 1600cc, também a ar.  Esses Pumas com motor a ar da década de 70 ficaram conhecidos como “puminha” ou “puma tubarão” e chegaram a ser exportados para a Europa, América do Sul e na África do Sul também foi produzido sob licença. Nesse período seu principal rival era o VW SP2.

Alguns modelos destinados para exportação (GTE) podiam ser montados com motores 1600 ou 1800, com dupla carburação (32 ou 40), além de comando P1, P2 e P3, bem como relógios adicionais como marcador de pressão do óleo e também duplo circuito de freio.

Na semana que vem continuaremos com a história do esportivo Puma e suas variações. Grande Abraço!

 

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