Agora Ernestina tem mãe

Postado por: Adalíbio Barth

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 A partir desta quarta-feira, o padre Adalíbio Barth passa a integrar a equipe de colunistas do Portal rdplanalto.com, trazendo a história do município de Ernestina, em 10 capítulos muito bem elaborados e em excelente iniciativa de pesquisa histórica. Confira às quartas-feiras.


Muitas vezes você foi surpreendido com a pergunta: - Afinal, quem foi Ernestina? A quem se refere este nome? E o morador do atual município de Ernestina e da região, não sabia responder.

Na época das colonizações empreendidas por particulares, ao redor do ano de 1900, com o apoio do Governo Federal e Estadual, surgiram centenas de projetos aprovados no Estado do RS, com a finalidade de reassentar agricultores e produzir alimentos, pois, a experiência anterior de distribuição de “sesmarias” provocou um povoamento muito ralo, sem a exploração intensiva da terra.

Na região de Passo Fundo destacou-se a “Colônia Dona Ernestina”, uma extensão de mata de araucárias de 4.750 hectares, que foi entregue para o colonizador Te. Cel. Ernesto Carneiro da Fontoura. Os dados referentes à sua vida e obras, foram agora recuperados no livro “Marcas do Passado e Olhares Para o Futuro”, lançado no mês de março deste ano, em Ernestina e Tio Hugo.

O Ernesto, morador de Porto Alegre, já na reserva do Exército, partiu para essa região do Planalto Médio, usando a locomoção férrea inaugurada em 1898. Em Passo Fundo, com o auxílio de amigos   militares, provavelmente da família Schell, locomoveu-se até o atual Município de Ernestina, onde iniciou o mapeamento da área compreendida entre o rio Jacuí e o Arroio Grande, atual divisa com o Município de Victor Graeff. Com a “equipe de cordas” e guiados pelas “botas do agrimensor”, lotearam a extensa região de pinheiros, logo entregues aos serradores, provindos da grande região do Taquari. O desmatamento foi intenso e rápido, levando a madeira para Lajeado, pelo rio Jacuí, ou pelos carroções puxados por várias juntas de bois, até a localidade de Pulador, grande centro de distribuição de tábuas serradas, para todo Estado, pela viação férrea.

Desde o início, o Ernesto denominou sua colonização de “Colônia Dona Ernestina”, em homenagem à sua filha mais velha, a Ernestina Carneiro da Fontoura, que já lhe havia dado 5 netos e continuava morando em Porto Alegre. Nos documentos referentes a essas terras sempre constava este nome, bem como as cartas dali enviadas ou recebidas, essa denominação era pacífica. A única Ernestina existente na época, era a filha dele, privilegiada com a derivação do nome de seu pai Ernesto.

Somente agora, em 2017, ao completar a genealogia da família, foi possível desvendar o nome de Ernestina, que era desconhecido para todos. Caem os mitos, as lendas e folclores em relação às interpretações da imaginação. Fica somente o nome de uma mãe honrada, educadora de 2 filhos generais, outro também militar de alta patente, um médico e um engenheiro civil. E isso há mais de cem anos atrás! Um nome, que honra o atual Município de Ernestina.

Na foto, dona Ernestina, aos 18 anos

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