Fome e abundância (III)

Postado por: Neuro Zambam

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A conclusão do I Seminário sobre a Teoria da Justiça de Amartya Sen, cujo tema central é o Direito à Alimentação, realizado na Faculdade Meridional na semana que passou e amplamente divulgado, nos ofereceu a oportunidade de estar em contato com diferentes formas de pensamento de maneira amistosa, tolerante e construtiva. A exposição feita em três painéis sobre práticas de superação das desigualdades (públicas e privadas), sobre metodologia de combate às desigualdades e o último com a exposição feita pelos presidentes ou representantes dos sindicatos ligados ao setor (dos trabalhadores rurais de Pontão e Passo Fundo, Rural, da Alimentação e a BSBIOS) engrandeceu o debate e encantou os participantes pela serenidade e preocupação com esta problemática.

A oportunidade de ouvir diferentes interesses e interagir com o público e expor a entidade com seus interesses e preocupações demonstra a maturidade política e profissional das pessoas e das entidades representadas e fortalece a integração e a busca de alternativas diante de uma realidade tão conturbada como a brasileira.

A construção do conhecimento como meta prioritária e emblemática do ensino superior muito ganha com a integração, interação e escuta da sociedade ou comunidade, por meio das pessoas e seus órgãos de representação.

A problemática da fome envolve toda a cadeia produtiva, o comportamento individual, as políticas do Estado e dos governos, a formação religiosa, a formação da cultura, entre outros campos e ambientes sociais.

Para citar apenas um exemplo da complexidade desse tema retrato a quantia de alimentos que são desperdiçados durante o preparo das refeições e m nossas casas e o excesso de comida disponível em cada refeição. Por que isso ocorre? Seria por exibicionismo a fim de mostrar que se tem em abundância ou se é melhor que os outros? Ou por falta de boa educação? Ou por compensação afetiva?

Afora as vorazes políticas de mercado cujo objetivo é a vantagem no processo de produção e comercialização, ambiente onde a atuação do Estado precisa ser forte e destemida, o grave drama do desperdício de alimentos de impactar as ações individuais, de produção e políticas em vista da diminuição deste drama gravíssimo.

Para o Brasil, o impacto precisa ser maior por ser o país gigante na produção de alimentos. Mais do que isso, a maior desperdício está nos países mais pobres. 

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